Prefeito coleciona polêmicas à frente de Belford Roxo

Roberta Pennafort

Rio

Prefeito de Belford Roxo, município de cerca de 470 mil habitantes da Baixada Fluminense, Wagner dos Santos Carneiro (PMDB), o Waguinho, iniciou a gestão colecionando controvérsias. Primeiro, tomou posse em uma igreja, da qual é fiel. Depois, contrariando decisão judicial, demoliu uma creche. Ontem, a prefeitura foi multada em R$ 3 milhões após despejar lixo em aterro clandestino.

Nascido na cidade, Waguinho tem 45 anos e começou na política em 2009. Como presidente da Câmara de Belford Roxo, foi acusado por auditoria do Tribunal de Contas do Estado de ter rendimento acima do teto constitucional. O salário de parlamentar se somava a um de técnico de computadores, totalizando R$ 29,4 mil. À época, era filiado ao PRTB.

Em 2014, pelo PMDB, elegeu-se deputado estadual. Em 2015, foi um dos autores do projeto que deu a Medalha Tiradentes, maior honraria da Assembleia Legislativa, ao então deputado federal Eduardo Cunha (PMDB). Em maio de 2016, com Cunha afastado da Câmara, Waguinho tratou de se desvincular dele. Em texto no Facebook, disse que nunca participara "de escolhas e decisões dele como deputado federal". Reconheceu na publicação, porém, a importância de emendas que beneficiaram a cidade.

Questionamentos. Nesta terça-feira, 14, dia em que o Instituto Estadual do Ambiente multou a prefeitura pelo despejo ilegal de lixo e interditou o lixão clandestino, por onde circulavam dezenas de urubus, o Estado foi à cidade para questionar o prefeito. Ele disse que o problema foi causado pela gestão anterior, que parou de pagar à empresa responsável pelo despejo. "Pior seria deixar o lixo na porta das pessoas. Causaria um problema de saúde pública", argumentou.

A prefeitura está rescindindo unilateralmente o contrato, para contratar outra empresa, em caráter emergencial. Esta passará a fazer os despejos em aterro legalizado, a 500 metros dali.

A creche demolida, Waguinho alegou, tinha rachaduras e havia sido condenada pela Defesa Civil, o que punha em risco a segurança de cerca de cem crianças atendidas, além dos funcionários. Um posto de saúde vizinho também foi abaixo, sendo transferido para rua próxima.

Moradores ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo não viam problemas estruturais nas instalações. "Meu filho estudou lá por três anos e não tinha nada de errado. Ninguém entendeu a demolição repentina", diz a dona de casa Cassia Silva, de 32 anos. O prefeito sustenta que o ofício com a decisão judicial contrária à demolição chegou apenas quando o trabalho já havia sido concluído.

O site da prefeitura diz que Waguinho é evangélico há 30 anos e "membro atuante" da Igreja de Nova Vida de Heliópolis. Foi esta igreja, que, segundo ele, cedeu espaço gratuitamente para o funcionamento da creche. Em 1.º de janeiro, o prefeito fora empossado nas dependências da mesma igreja. "A cidade não tinha um espaço adequado para a cerimônia", justificou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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