FPA diz que 'coloca a mão no fogo' por Serraglio e defende investigação

Daiene Cardoso

Brasília

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Nilson Leitão (PSDB-MT), disse não acreditar que o ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB), esteja envolvido em irregularidades e que o deputado licenciado é "pessoa decente". "Pelo Osmar a gente pode colocar a mão no fogo", disse o tucano.

O peemedebista foi flagrado em conversa com o fiscal agropecuário Daniel Gonçalves, apontado pela Operação Carne Fraca como líder da organização criminosa que comandava um esquema de corrupção envolvendo frigoríficos.

No diálogo interceptado, Serraglio se refere a Gonçalves como "o grande chefe". "Meu chefe, meu líder, é chavão. Não acredito que ele esteja envolvido em ilícitos", afirmou. Leitão declarou não ter dúvidas da probidade, da decência e da coerência de Serraglio.

O peemedebista integrava a bancada ruralista enquanto esteve no mandato parlamentar e, por isso, enfatizou Leitão, conversava com diversas pessoas do setor.

Leitão defendeu que o setor precisa ser "passado a limpo" e contou que a relação entre fiscais agropecuários federais e grandes frigoríficos "sempre foi muito temerária". Ele lembrou que nos últimos anos houve um avanço do monopólio dos grandes frigoríficos e, por consequência, a crescente reclamação dos pequenos e médios produtores, que empregam aproximadamente 3 milhões de trabalhadores. O deputado destacou que os grandes frigoríficos eram os principais beneficiários de empréstimos públicos. "Muitos pequenos frigoríficos fecharam", observou.

Preocupado com as consequências das denúncias no mercado interno e externo, o tucano informou que vai pedir uma reunião com o Ministério da Agricultura e o Ministério das Relações Exteriores para entender a profundidade do esquema e discutir estratégias para explicar as providências tomadas aos compradores internos e externos. "Isso não pode paralisar o setor", afirmou.

Leitão se disse favorável à convocação dos executivos dos frigoríficos envolvidos nas comissões da Câmara e à criação de uma CPI para investigar o caso. O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) anunciou nesta sexta que iniciará o processo de coleta de assinaturas na próxima semana. "É um momento importante para trazer às claras como funcionava o setor", pregou.

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