Brasil fica em 92º lugar entre 159 países em ranking de igualdade de gênero

Lígia Formenti

Brasília

O relatório sobre Desenvolvimento Humano preparado pelas Nações Unidas tem entre suas mensagens-chave a necessidade de se garantir a igualdade entre homens e mulheres. Se tal caminho não for percorrido, avalia o relatório, não há como se chegar ao desenvolvimento pleno. Os dados apontados pelo estudo, no entanto, deixam evidente que há uma longa jornada pela frente.

O estudo mostra, por exemplo que no mundo uma entre cada três mulheres foi vítima de violência física ou sexual. Elas também ganham menos, ocupam menos cargos de chefia e, em 18 países, ainda precisam da aprovação do marido para trabalhar. Os reflexos sobre a qualidade de vida são claros. O relatório aponta que, na América Latina e Caribe, há 117 mulheres vivendo em domicílios pobres por cada 100 homens na mesma situação. "Não é possível alcançar o Desenvolvimento Humano para todos se metade da humanidade é ignorada", afirmou a coordenadora do Relatório de Desenvolvimento Humano Nacional, Andrea Bolzon.

Os números no Brasil repetem a lógica de desigualdade. Dados mostram que o Sistema Único de Saúde (SUS) registra uma denúncia de violência contra a mulher a cada 7 minutos. Aqui mulheres recebem até 25% a menos que homens desempenhando trabalhos semelhantes.

O relatório do Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento traz dois índices para avaliar as desigualdades de gênero. O Índice de Desigualdade de Gênero (IDgG), por exemplo, retrata as diferenças de oportunidades no acesso à saúde reprodutiva, ao empoderamento e atividade econômica.

Quando esse índice é levado em conta, o Brasil é deslocado para a 92ª posição em uma lista de 159 países. Motivos não faltam. O índice de mortalidade materna é de 44 mortes a cada 100 mil nascidos vivos. A Noruega, a primeira colocada no ranking, apresenta 5 mortes por cada 100 mil. Na política, apenas 10% dos assentos do parlamento são ocupados por mulheres. Na vizinha Argentina, esse indicador chega a 37%. O indicador é menor ainda que o apresentado na Arábia Saudita. Ali, 19,9% dos assentos são ocupados por mulheres.

A participação no mercado de trabalho também estampa a desigualdade. O levantamento mostra que 56,3% das mulheres acima de 15 anos estão no mercado de trabalho. Entre o grupo masculino, esse porcentual sobe para 78,5%.

Além do IDgG, o relatório traz outro índice para avaliar as diferenças entre gêneros. Batizado de Índice de Desenvolvimento de Gênero (IDvG), ele destrincha os dados do IDH geral (expectativa de vida, anos esperados de estudo, média de anos estudados e renda per capita) para grupos masculino e feminino. Por esse indicador, o "IDH" de homens é 0,751 e o das mulheres, 0,754.

A melhor pontuação do grupo feminino é resultante do desempenho nas áreas de educação e expectativa de vida. A média de anos de escolaridade entre as mulheres é de 8,1. De homens, de 7,5. Já a expectativa de vida ao nascer das mulheres é de 78,5. De homens, 71.

Embora a escolaridade das mulheres seja mais elevada, a renda per capita é maior entre homens. A renda das mulheres é de 10,672 (ppp paridade de poder de compra, uma medida internacional usada para permitir comparação entre diferentes moedas). Para homens, o indicador salta para 17.736 ppp.

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