Rio une doação de sangue e vacinação

Constança Rezende e Fabio Grellet

Rio de Janeiro

O Hemorio, instituto estatal fluminense dedicado à coleta de sangue, registrou ontem um aumento de 76% no número de doações que recebe, em comparação com a média diária de doadores. O motivo foi uma "promoção" da Secretaria de Saúde do Estado: quem doar ganha, na hora, uma dose da vacina contra a febre amarela. Ontem, segundo dia da iniciativa, 559 pessoas se apresentaram como doadores, 398 doaram (nem todos puderam doar) e 440 foram vacinados. Em muitos casos, mesmo sem condição de serem doadores de sangue, as pessoas foram vacinadas contra a doença.

A Secretaria de Saúde do Estado resolveu trocar vacina por sangue porque, depois de vacinadas contra a febre amarela, as pessoas devem ficar quatro semanas sem doar. Por isso, havia a preocupação de que, quando a campanha de vacinação massiva começasse na capital, os estoques da cidade ficassem muito reduzidos, uma vez que o público potencialmente doador cairia muito, durante algum tempo.

"Resolvemos nos precaver desse risco de ficarmos sem estoque por este problema. No carnaval, por exemplo, o número de doações foi de 50 pessoas por dia, em média, e o nosso estoque foi reduzido pela metade. Além disso, pretendemos levar as bolsas de sangue para cidades do interior do Estado que já começaram a vacinação", disse o diretor do Hemorio, Luiz Amorim.

Anteontem, dia em que a campanha começou, 506 pessoas se prontificaram a doar sangue. Foi um aumento de 100% em relação à média dos dias normais, que é de 250 doações. Em troca, 370 pessoas receberam a vacina. Por dia, a Secretaria de Saúde manda 500 doses de vacina para o Hemorio. A campanha deverá durar, pelo menos, até o próximo sábado, quando começará a vacinação contra febre amarela na capital.

A contadora Nilzete dos Santos, de 54 anos, doou pela primeira vez sangue, ontem, por causa da vacina. "Minha filha me cobrava isso. A campanha me despertou a vontade", disse.

O auxiliar de logística Maicon Dionísio, de 31 anos, também doou sangue pela primeira vez. "Vou para Juiz de Fora e precisava tomar a vacina. Bom que eu ajudei alguém e, ao mesmo tempo, também fui beneficiado."

Sem remuneração

De acordo com o diretor do Hemorio, a iniciativa não fere a resolução do Ministério da Saúde que diz que a doação de sangue deve ser anônima, voluntária e não remunerada. "O que não pode haver é uma remuneração monetária. O que estamos fazendo é oferecendo um serviço que está facilitando a vida das pessoas", afirmou.

O corretor de seguros Roberto Cavalcanti, de 45 anos, que sempre doa sangue, elogiou a atitude. "Acho importante todos doarem, eu faço isso frequentemente, mas acho que a campanha (do Hemorio) incentiva quem ainda precisa de um empurrão", disse. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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