Crivella critica polícia, anuncia reunião de segurança e defende blindar escolas

Fábio Grellet

Rio

  • Luciano Belford/AGIF/Folhapress

    O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, durante o enterro da adolescente Maria Eduarda,

    O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, durante o enterro da adolescente Maria Eduarda,

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), esteve neste sábado (1º) no cemitério Jardim da Saudade, em Mesquita (Região Metropolitana do Rio), onde foi enterrada a adolescente Maria Eduarda Alves da Conceição, de 13 anos, morta por uma bala perdida enquanto estudava na Escola Municipal Daniel Piza, em Acari (zona norte do Rio), na última quinta-feira (30). Crivella chegou ao final da cerimônia e conversou com a família da adolescente, após o sepultamento.

Ele criticou a ação da polícia, defendeu a blindagem das escolas e anunciou uma reunião para lançar um gabinete institucional de segurança na próxima quarta-feira (05).

"Essa reunião já estava marcada, e vão participar o secretário de Segurança, a Polícia Militar, a Guarda Municipal, também pedi a presença do Exército, da Marinha, da Aeronáutica, da Força Nacional de Segurança, da Polícia Rodoviária Federal, e nós todos juntos precisamos ter um plano para a segurança do Rio de Janeiro. Embora a competência (sobre segurança pública) seja do Estado, a prefeitura também pode colaborar", afirmou.

Crivella criticou a ação da Polícia Militar, que provocou um tiroteio perto da escola onde Maria Eduarda estava. "É preciso conversar com a tropa, não é possível haver disparos próximos de escola, não é possível que isso ocorra de novo. Quando há inocentes perto de operações, não se pode haver tiroteio com fuzis, é um risco muito grande".

O prefeito também defendeu a blindagem das escolas situadas em lugares conflagrados. "Em 2007 eu já falava que era necessário, nas áreas onde existe tráfico, uma alvenaria que não permita passar os projéteis. Tiro de fuzil é uma tragédia. Se pudesse, já teria feito (a blindagem) desde 2007. As paredes das escolas precisam ter essa argamassa, que não é uma coisa cara, são três ou quatro centímetros", afirmou.

Crivella disse ainda que a família da adolescente terá apoio de psicólogos da prefeitura. "Nesse momento o mais importante é a solidariedade, o apoio psicológico. A mãe deve estar com o coração estraçalhado".

Enterro

A estudante Maria Eduarda Alves da Conceição foi enterrada às 13h10 deste sábado.

Em meio a grande comoção, familiares acusaram a polícia de ter dado os tiros e cobraram providências do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). Mais de 200 pessoas, em sua maioria familiares, professores e colegas de Maria Eduarda, foram ao velório. Os colegas de escola vestiam camisetas em homenagem à adolescente. Em vários momentos, familiares e amigos foram retirados do ambiente do velório para conter a desolação. Duda, como a adolescente era chamada, foi sepultada aos gritos de "justiça".

Reprodução/Facebook
Maria Eduarda Conceição, vítima de bala perdida no Rio
Embora a autoria dos disparos ainda não tenha sido esclarecida - só a perícia poderá indicar de qual arma partiram os tiros -, a revolta com a polícia era comum. "O que a polícia fez com meu bebê

Um dos irmãos de Maria Eduarda, o instrutor de luta Uidson Alves, de 32 anos, leu uma carta pedindo mudanças na política: "Maria Eduarda estava dentro de uma escola buscando um futuro melhor. Este é o futuro melhor para nossas crianças? Serem mortas covardemente, enquanto estudam? De onde partiram os tiros? Os tiros partem quando ignoramos os mais humildes. Os tiros partem quando o Estado não prepara a polícia. Os tiros partem quando o Estado é corrupto e desvia o dinheiro que seria empregado para melhor a segurança e a educação. Governantes, tenham mais vergonha na cara. Inocentes estão clamando por paz", afirmavam trechos da mensagem.

O advogado João Tancredo anunciou que vai ingressar com ações judiciais contra o Estado e o município cobrando indenização à família pela morte de Maria Eduarda e oferecimento de apoio psicológico aos familiares. Segundo ele, não importa se os tiros partiram de policiais ou criminosos. "O Estado tem o dever de orientar seus policiais, e a Prefeitura precisa garantir a segurança das pessoas dentro de seus imóveis", afirmou.

Fundador da ONG Rio de Paz, Antônio Carlos Costa também compareceu ao enterro e lamentou o episódio. "Já são três crianças mortas por bala perdida neste ano na região metropolitana do Rio. Foram 20 nos últimos dois anos, e 33 em 10 anos", afirmou. "É pobre matando pobre, policial pobre matando traficante pobre, bandido pobre matando policial pobre, isso precisa mudar", continuou.

 

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