Delator de Cabral revela engenhosa rede de comunicação paralela

Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

São Paulo

  • Rodrigo Félix/Agência de Notícias Gazeta do Povo/Estadão Conteúdo

    Segundo delator, rede de comunicação tratava de vantagens para grupo de Cabral

    Segundo delator, rede de comunicação tratava de vantagens para grupo de Cabral

Um dos delatores do esquema de propinas atribuído ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), o doleiro Marcelo Chebar revelou à Procuradoria da República detalhes de como operava uma engenhosa rede de comunicação paralela para tratar de vantagens indevidas para o grupo do peemedebista. Marcelo e seu irmão Renato Chebar controlavam contas secretas de Cabral no exterior, afirma a Procuradoria.

O depoimento foi prestado em 24 de janeiro deste ano. Marcelo Chebar relatou que "ligações telefônicas, por meio de telefones celulares eram raramente utilizadas".

"Quando se fazia uso dos mesmos utilizavam-se telefones pré-pagos, adquiridos em camelódromos, sem cadastro na Anatel ou nas operadoras, que eram descartados a cada 15 (quinze dias); Que em camelódromos também eram adquiridos modems de acesso à internet (30 ou 40), também sem qualquer cadastro, para possibilitar o acesso à internet; Que tais modems eram usados pois, além da segurança de conexão, não era necessária muita velocidade de acesso à internet para fazer as transações, pois envolviam, basicamente, ordens de recolhimento e entrega de valores em texto (ex: 'pegar 1 milhão no endereço xxxx')", relatou Marcelo Chebar.

O delator contou que, "para evitar a interceptação de comunicações telemáticas, também eram utilizadas conexões VPN (virtual private tunnel)". VPN é uma rede de comunicação particular virtual.

"Outra forma de comunicação é salvar mensagens na pasta 'rascunho' de algum e-mail pré-ajustado e duas pessoas entrarem compartilhando a senha; Que tal forma de comunicação evita o trânsito e envio de mensagens; que há aparelhos no mercado que a disponibilizam criptografia no próprio aparelho celular; que tais aparelhos quando conectados a algum dispositivo de extração de dados se autodestroem queimando todo o hard disk", revelou Marcelo Chebar em seu depoimento.

A engenharia criada para o esquema se comunicar atingia também computadores. O doleiro contou que havia um "programa de computador (software) de preferência": um encriptador de mensagens multiplataformas.

À Procuradoria da República, o delator afirmou também que "as formas de comunicação frequentemente utilizadas" por ele "eram por meio de aplicativos de celular e programas de computador que criptografavam seu conteúdo". Segundo Marcelo Chebar, eram usados aplicativos que "permitiam a troca de comunicações de forma criptografada, bem como pelo fato de que possibilitava que as mensagens se autodestruíssem"

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos