Foragido, número 3 do PCC é condenado a 47 anos

Alexandre Hisayasu

São Paulo

A Justiça de São Paulo condenou Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, a 47 anos de prisão por duplo assassinato e formação de quadrilha. Ele foi julgado ontem no 5.º Tribunal do Júri, no Fórum Criminal da Barra Funda, zona oeste da capital, mas não apareceu e foi sentenciado à revelia.

Gegê do Mangue acabou solto por determinação da Justiça, no dia 2 de fevereiro, 18 dias antes de ser julgado por esses crimes. Como não compareceu ao júri, a Justiça decretou a sua prisão novamente, mas ele nunca mais foi encontrado, e foi marcada outra data para o júri. Ele é considerado o número 3 na facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e está na lista dos 32 bandidos mais procurados de São Paulo no site da Secretaria de Segurança Pública. Gegê também responde a pelo menos 11 processos por homicídio, formação de quadrilha e tráfico de drogas, entre outros crimes. A defesa conseguiu reverter, antes dos julgamentos, as prisões provisórias que o mantinham detido.

A decisão de libertar o integrante do PCC foi tomada pelo juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3.ª Vara de Presidente Venceslau, em um processo de homicídio qualificado em que Gegê é réu. O caso corre em segredo de Justiça e é relativo a um assassinato cometido em 2013.

Julgamento

Segundo o promotor Rogério Zagallo, Gegê e Abel Pacheco de Andrade, o Vida Loka, deram a ordem para matar dois homens que eram considerados inimigos do PCC em 2004. Na época, os acusados estavam presos e usavam telefones celulares para repassar as instruções para as execuções. Os diálogos foram gravados com autorização da Justiça. Ao contrário do comparsa, Vida Loka está em um presídio federal de segurança máxima.

Os sete jurados aceitaram os argumentos do Ministério Público e condenaram Gegê do Mangue por unanimidade. O julgamento começou por volta das 11 horas e somente foi encerrado às 20h30.

O promotor lamentou que a própria Justiça tenha dado a liberdade para Gegê do Mangue. "Na minha opinião, um criminoso dessa periculosidade nunca poderia estar nas ruas", afirmou. Ainda segundo Zagallo, os defensores de Gegê usaram de vários recursos para adiar o julgamento. Muitos abandonavam o plenário momentos antes das sessões, o que obrigava o juiz a adiar o júri. Ontem, a Justiça determinou que um advogado do Estado assumisse o caso, caso os defensores se recusassem a fazer o julgamento. Os advogados do réu não foram localizados pela reportagem. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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