Para Aécio, atraso do julgamento no TSE já era esperado

Erich Decat e Julia Lindner

Brasília

  • Ueslei Marcelino/Reuters

Autor do processo de pedido de cassação da chapa presidencial Dilma Rousseff-Michel Temer de 2014, o presidente do PSDB, senador Aécio Neves, considerou nesta terça-feira (4) como "esperado" o adiamento do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

"É uma decisão que segue o regimento do tribunal, acolhida pelo presidente e que vai retardar um pouco o processo, mas é um rito que, ao meu ver, já era esperado. Não tem nada a nos opor e vamos aguardar que no momento certo o tribunal julgue. O que tínhamos que fazer em relação a esse processo já foi feito, na apresentação da denúncia lá trás", ressaltou o tucano.

Aliado do atual governo, nas alegações finais do processo entregues antes da sessão de hoje no TSE, o PSDB considerou que o presidente Michel Temer não participou de possíveis irregularidades ocorridas na captação de recursos para a campanha de 2014.

"Ao cabo da instrução destes processos não se constatou em nenhum momento o envolvimento do segundo representado (Michel Temer) em qualquer prática ilícita. Já em relação à primeira representada (Dilma Rousseff), há comprovação cabal de sua responsabilidade pelos abusos ocorridos", diz trecho do documento encaminhado ao TSE.

 

Apesar da iniciativa tomada pelo partido, Aécio afirmou que houve mudanças na postura do PSDB em relação ao processo. "Não muda, o que mudou foi o Brasil já que nós queríamos ou pedimos na ação a perda do mandato da presidente, e isso já ocorreu por outra via. Mas todas as alegações que fizemos inicialmente constam nas nossas alegações finais. Não mudou absolutamente nada. Cabe agora ao TSE fazer o julgamento e vamos aguardar com tranquilidade", disse.

Julgamento

Em sessão realizada nesta terça-feira, os ministros do TSE decidiram ouvir mais testemunhas no processo que pede a cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer e também acatou pedido da defesa da presidente cassada por mais cinco dias de prazo para alegações finais. Com isso, a fase de coleta de provas foi reaberta e o julgamento que pode gerar a cassação de Temer e a inelegibilidade do peemedebista e da petista foi adiado sem um prazo definido para ser retomado.

Na análise de integrantes da cúpula do PSDB, as discussões devem se arrastar até 2018. Entre os argumentos considerados pelos tucanos está a instabilidade que uma possível cassação da chapa poderá causar na combalida economia do País. No entendimento de tucanos da cúpula do partido, mesmo o TSE não tendo a palavra final, uma vez que o processo poderá ser levado ao Supremo Tribunal Federal (STF), uma condenação da chapa pela Corte Eleitoral poderá criar desconfianças nos investidores externos.

Além disso, caso o presidente Michel Temer tenha o mandato cassado, ninguém saberá responder quando e quem será colocado no comando do País, o que aumenta ainda mais o quadro de incertezas. Diante desse horizonte, tucanos consideram que os ministros do TSE vão atuar de olho nos possíveis impactos de uma decisão da Corte e deixarão para o próximo ano o julgamento, quando estará em curso a sucessão presidencial de 2018.

 

Análise: Recuo compromete andamento; não há prazo para julgamento terminar

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