Um dos tiros que atingiram estudante em escola do Rio partiu de arma de PM

Um dos tiros que atingiram e mataram a estudante Maria Eduarda Alves Ferreira, de 13 anos, partiu da arma de um policial militar envolvido na ação. A operação terminou com dois suspeitos executados e a estudante morta a tiros no pátio da Escola Municipal Jornalista e Escritor Daniel Piza, em Acari, na zona norte carioca. A perícia já havia concluído que as balas que atingiram a menina eram de calibre 7.62. O laudo foi obtido pela Globonews.

De acordo com o documento, as balas que atingiram a menina acertaram primeiro as grades da escola. Em uma foto, há 11 marcas de tiros no muro da instituição, próximo ao local em que os dois traficantes já estavam rendidos e, em seguida, foram mortos pelos policiais.

O momento em que os criminosos foram mortos pelos PMs, quando estavam inertes no chão, foi filmado. As imagens desmontaram a versão inicial do sargento David Centeno e cabo Fabio Dias, do 41º BPM, presos em flagrante pelo crime. Eles alegaram que reagiram depois que os traficantes "esboçaram reação".

O delegado da Divisão de Homicídios André Leiras não se convenceu da versão dos PMs. "Conforme se percebeu na análise do vídeo, pode-se atestar que as vítimas estavam no chão, apresentando alguns sinais vitais, mas em momento algum pareciam esboçar reação que ameaçasse os policiais. O excesso restou patente", escreveu no inquérito, ainda inconcluso e divulgado pela emissora. "Não há que se falar que os policiais militares agiram no estrito cumprimento do dever legal, pois em momento algum o ordenamento jurídico autoriza os agentes do estado a ceifar a vida de criminosos que já estejam neutralizados".

Os dois fuzis FAL e uma pistola, que estavam com os PMs, foram apreendidos pela polícia. Maria Eduarda tinha cinco marcas de perfuração, duas do lado direito do pescoço, duas nas nádegas (que podem ter sido feitas pelo mesmo tiro) e uma na perna. O exame balístico mostrou que um dos projéteis que atingiram a menina saiu de uma arma usada pelos PMs.

Rosilene Ferreira, mãe da estudante, disse nesta quarta-feira, 5, que a filha estava em um intervalo da aula de educação física, quando aproveitou para beber água. "Agora eu quero Justiça", afirmou.

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