Pezão minimiza possível intervenção federal no Rio: "não estou agarrado no cargo"

Mariana Sallowicz

No Rio

  • REUTERS/Adriano Machado

    Governador do Rio, Luiz Fernando Pezão

    Governador do Rio, Luiz Fernando Pezão

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), afirmou "não estar agarrado" ao seu cargo ao comentar declaração feita nesta sexta-feira (7) pelo presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Jorge Picciani, à rádio CBN. O deputado disse que se o pacote dos Estados não for aprovado em 15 ou 20 dias, será preciso uma intervenção federal no Rio.

"Se chegar aqui um interventor para botar os salários em dia, pagar os aposentados e pensionistas, não estou agarrado no cargo. Quero o melhor para o funcionário. O que me faz estar 11 semanas em Brasília é ter dinheiro para pagar os funcionários, eu sofro junto", afirmou a jornalistas após prestar depoimento na 7ª Vara Federal Criminal do Rio a pedido do ex-governador Sérgio Cabral.

O governador afirmou ainda que o interventor que chegar no Rio vai ter que chegar com muito dinheiro. "O governo federal está com déficit hoje de R$ 139 bilhões. Para chegar aqui, tem que ser com pelo menos mais R$ 20 bilhões. Será que ele quer fazer essa intervenção? Parar os projetos de emendas constitucionais que estão no Congresso? Intervenção é isso", disse.

Ele acrescentou ainda que não está pedindo R$ 20 bilhões ao governo. "Se aprovarmos aquele projeto, o Rio vai voltar a suspirar e no final de 2018 entregamos o Estado em muito melhores condições". Pezão reafirmou a necessidade do Congresso votar o texto. "Está pronto para ser votado, não sei se vai ser nessa próxima semana com a Semana Santa", disse.

Ele também comentou as articulações da oposição para o seu impeachment. "É trabalho da oposição, a oposição nunca ajudou. Era uma hora de todas as forças ajudarem o Estado", reclamou.

A respeito de Cabral, destacou sua amizade com ele e disse não querer fazer julgamentos. "Deixa o governador se defender, vim aqui como testemunha dele, não quero fazer julgamento das pessoas. Já tem muitos órgãos fiscalizando", disse. Sobre denúncias contra ele, se disse tranquilo. "Não me furto a falar com ninguém. Tenho vida pública de 32 anos, tenho consciência e tranquilidade da minha carreira política".

Ele também falou sobre a citação do secretário de governo, Affonso Henriques Monnerat, e do subsecretário de Comunicação, Marcelo Amorim, na delação do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Jonas Lopes. "Vou mantê-los (no governo). Cada um fala o que quer, mas agora tem de provar. Tenho muita confiança neles", afirmou.

Ambev

Pezão defendeu ainda o projeto de lei que, se aprovado, concede à fabricante de bebidas Ambev o direito de adiar por 20 anos o pagamento de ICMS de uma nova fábrica, até o valor de R$ 650 milhões. O peemedebista afirmou que a sua preocupação é o emprego.

"Se aprovar a lei, a Ambev vai se beneficiar de incentivos. Não vai deixar de recolher impostos. Vai trazer uma fábrica para o Rio que estamos disputando com o México. São cerca de 1.000 empregos diretos, não são só os 200 que falaram", afirmou.

Pezão disse também que é preciso ter políticas de incentivo. "É melhor ter 4% de alguma arrecadação ou é melhor ter zero e não ter emprego? O México, com a briga com os Estados Unidos, está oferecendo tudo para as empresas irem para lá. Todos os países estão com uma política agressiva. Se a gente não for para a guerra da competição, vamos perder", disse.

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