Cármen Lúcia liga veto à greve de policiais ao "direito ao sossego"

Rafael Moraes Moura

Brasília

  • Andressa Anholete/AFP

Um dia após o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir que carreiras policiais não têm direito de greve, a presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, afirmou ao "Estado" que respeita a classe policial, mas que, nesse caso, a paralisação é um "problema maior ainda" por se tratar de agentes armados.

"Ao interpretar a Constituição, nós fazemos uma ponderação de valores. Há, sim, o direito à greve de servidores públicos, porém não se pode exercer um direito - ainda que tido como direito social fundamental - sem levar em consideração o direito à vida livre, à vida segura, à paz. O direito de você ter sossego", afirmou a ministra.

"Você tem direito a fazer um movimento de paralisação e não pensa nesses milhares de brasileiros que precisam de ter segurança? Você pondera direitos: o direito da sociedade à segurança pública foi levado em consideração (no julgamento). Alguém armado faz greves e a sociedade não sabe como agir diante disso, porque não tem o mínimo de segurança física."

No julgamento da quarta-feira, a presidente do STF votou contra o direito de greve para policiais civis. Em conversa com a reportagem em seu gabinete, Cármen frisou que tem "o maior respeito" pela classe policial, lembrando que se tratam de profissionais que trabalham o tempo inteiro sob estresse, em péssimas condições de trabalho e com remuneração baixa.

"Em cidade grande, eles (policiais) saem e a mulher tem medo de (o marido) não voltar. Há um número grande de policiais mortos e há um número enorme de brasileiros mortos, e a gente tem de dar conta de virar esse quadro", disse a presidente da Corte.

Cármen mostrou para o Estado a foto que lhe foi enviada de uma paralisação de policiais militares em Belo Horizonte, em 19 de dezembro. Na imagem, um policial aparece segurando um papel com a frase "Ligue para o Batman". "(O episódio ocorreu) Na porta lá de casa. É muito complicado."

Insegura

Mineira de Espinosa, no norte de Minas, a ministra disse ter medo de andar pelas ruas de Belo Horizonte à noite. E lembrou um episódio de violência que viveu na sua cidade natal em novembro de 2005, quando três homens com armas e vestindo máscaras entraram na casa do seu pai, Florival Rocha. "Eu acordei com três homens dentro do quarto. E eles mascarados, profissionais, com luvas, tanto que não foram pegos nem nada", lembrou.

Em Brasília, a vida é mais tranquila. "Aqui eu só ando de carro à noite, do Supremo à casa, da casa ao Supremo, nunca experimentei isso (essa insegurança)." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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