Dilma: Um erro foi não perceber que "extrema direita" dominara "centro democrático"

Cláudia Trevisan, enviada especial

Cambridge, EUA

  • Reprodução/Brazil Conference

    A ex-presidente Dilma Rousseff participa de evento realizado pela Universidade de Harvard e o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), nos EUA, neste sábado (8)

    A ex-presidente Dilma Rousseff participa de evento realizado pela Universidade de Harvard e o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), nos EUA, neste sábado (8)

Um dos erros da ex-presidente Dilma Rousseff foi não ter percebido que o "centro democrático", que garantiu a governabilidade de todas as administrações desde a redemocratização, havia sido dominado pela "extrema direita corrupta". Esse diagnóstico foi feito pela própria petista em sua palestra, neste sábado, na Brazil Conference at Harvard & MIT. O "MDB velho de guerra" sucumbiu à influência de Eduardo Cunha, afirmou Dilma, em referência a seu algoz no processo de impeachment.

A petista fez sua apresentação no evento organizado por estudantes brasileiros do MIT e de Harvard poucas horas antes da participação do juiz Sérgio Moro na conferência. A ex-presidente ressaltou que a Operação Lava Jato só foi possível por mudanças legislativas propostas por seu governo, entre as quais a regulamentação da delação premiada.

A ex-presidente criticou o que considera uso político e ideológico da Lava Jato e disse ser possível combater a corrupção sem "comprometer o sistema democrático" do País. "Não é admissível juiz falar fora de processo, em qualquer lugar do mundo. O juiz não pode ser amigo do julgado. Não é possível qualquer forma de violação do direito de defesa."

Lula

Em sua palestra, Dilma disse temer que seu antecessor e padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva, seja preso antes da disputa presidencial de 2018. A eventual prisão do petista representaria, em sua opinião, uma mudança ilegítima nas regras das eleições. "Me preocupa muito que prendam o Lula, me preocupa muito que tirem o Lula da parada", afirmou.

"Infelizmente para as oposições, ele tem 38% nas pesquisas, com tudo o que fizeram com ele", disse. "É uma possibilidade concreta, meus caros. Deixa ele concorrer para ver se ele não ganha", ressaltou a petista na conferência. "Não acho que o Lula tem de ganhar ou perder. Ele tem de concorrer. Se perder, é da regra do jogo."

Dilma defendeu uma Assembleia Constituinte exclusiva para realização da reforma política. Segundo ela, a fragmentação partidária tornou o Brasil ingovernável e alimentou o fisiologismo. "Todo mundo quer ter partido para ter Fundo Partidário e tempo de TV. Esse sistema cria mecanismos para que haja fisiologismo e corrupção", afirmou a ex-presidente, que defendeu o financiamento público de campanhas.

Impeachment

Durante sua intervenção de quase uma hora, Dilma sustentou a tese de que seu afastamento foi um golpe praticado com o objetivo de restaurar uma agenda de governo neoliberal que, segundo ela, havia sido abandonada pelos governos petistas. "Durante quatro eleições consecutivas, nós havíamos derrotado o projeto neoliberal", afirmou. "Daí a necessidade do impeachment."

Para Dilma, a crise política brasileira só será resolvida com a eleição presidencial de 2018. "O Brasil sempre melhorou quando houve democracia."

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