Operação Carne Fraca

Juiz vê "risco à saúde pública" e mantém preso funcionário da Seara

Luiz Vassallo, Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo

Em São Paulo

  • Cadu Rolim/Fotoarena/Estadão Conteúdo

    Unidade da JBS no interior de São Paulo

    Unidade da JBS no interior de São Paulo

O juiz federal Marcos Josegrei, responsável pela Operação Carne Fraca, manteve, neste sábado (8), a prisão preventiva do médico veterinário Flavio Evers Cassou, da Seara, pertencente à JBS. O funcionário, que segundo a Polícia Federal seria executivo da JBS, é investigado por "entregar dinheiro" aos fiscais do Ministério da Agricultura Daniel Gonçalves Filho e Maria do Rocio, apontados como líderes da organização criminosa que se instalou na pasta para defender os interesses de empresários do setor agropecuário em troca de propinas.

A JBS esclareceu, nesta tarde de domingo (9), que Flavio Evers Cassou não é executivo da companhia. O profissional é funcionário da Seara, cedido ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, conforme regulamentação vigente, e atualmente está com seu contrato de trabalho suspenso.

A operação, deflagrada no dia 17 de março, revelou um esquema de corrupção nas superintendências regionais do Ministério da Agricultura, nos Estados de Minas Gerais, Goiás e Paraná, que envolvia fiscais federais e empresários dos maiores frigoríficos do país. De acordo com a PF, os agentes públicos investigados recebiam propinas para emitir certificados sanitários a carnes estragadas e adulteradas.

Em decisão que manteve Flávio Cassou preso preventivamente, o juiz Marcos Josegrei afirma que "livre", o veterinário da JBS "certamente, trabalhará ativamente para destruir provas e, dadas as redes de contatos que possui em todas as áreas, atuar para inviabilizar o avanço das investigações".

"É caso típico de reiteração criminosa que, evidentemente, não vai se estancar com outras medidas que não seja a de privação cautelar de liberdade. O risco para a saúde pública, para a ordem pública enfim é enorme e deve ser cessado de forma eficaz", anota o magistrado.

Segundo investigações da Polícia Federal, o funcionário da JBS conversava com a fiscal do Ministério da Agricultura Maria do Rocio sobre "a entrega a ela de carnes, produtos alimentícios ou mesmo dinheiro, utilizando sempre 'apelidos' (balde, processo, dedos e luvas) para evitar falar diretamente a respeito do que seja pelo telefone."

Para os investigadores, a partir da análise de uma série de diálogos grampeados, "fica claro que Flavio Evers Cassou leva produtos e dinheiro para Maria do Rocio".

O juiz federal Marcos Josegrei constata ainda que o funcionário da JBS "chegou até a liberar cargas com o uso do acesso a sistemas internos do MAPA/PR, do qual tinha acesso com login e senha próprios, para atender aos interesses da Seara".

Com a palavra, a JBS - A assessoria de imprensa da JBS informou que a empresa "não compactua com qualquer desvio de conduta de seus funcionários e acompanha o caso para tomar todas as medidas cabíveis. A companhia não vai se manifestar sobre o conteúdo da investigação nem do depoimento, uma vez que a defesa do funcionário segue de forma independente".

Os comunicados enviados à imprensa representam todas as empresas do grupo. Entre as investigadas pela Operação Carne Fraca estão algumas de propriedade da JBS, como a Seara e a Big Frango.

Comunicado JBS

"Em relação a operação realizada pela Polícia Federal na manhã de hoje, a JBS esclarece que não há nenhuma medida judicial contra os seus executivos. A empresa informa ainda que sua sede não foi alvo dessa operação.

A ação deflagrada hoje em diversas empresas localizadas em várias regiões do país, ocorreu também em três unidades produtivas da Companhia, sendo duas delas no Paraná e uma em Goiás. Na unidade da Lapa (PR) houve uma medida judicial expedida contra um médico veterinário, funcionário da Companhia, cedido ao Ministério da Agricultura.

A JBS e suas subsidiárias atuam em absoluto cumprimento de todas as normas regulatórias em relação à produção e a comercialização de alimentos no país e no exterior e apoia as ações que visam punir o descumprimento de tais normas.

A JBS no Brasil e no mundo adota rigorosos padrões de qualidade, com sistemas, processos e controles que garantem a segurança alimentar e a qualidade de seus produtos. A companhia destaca ainda que possui diversas certificações emitidas por reconhecidas entidades em todo o mundo que comprovam as boas práticas adotadas na fabricação de seus produtos.

A Companhia repudia veementemente qualquer adoção de práticas relacionadas à adulteração de produtos - seja na produção e/ou comercialização - e se mantém à disposição das autoridades com o melhor interesse em contribuir com o esclarecimento dos fatos.

São Paulo, 17 de março de 2017."

Com a palavra, a JBS - 2 - Sobre a operação da Polícia Federal, a JBS esclarece que "qualidade é a sua maior prioridade e a razão de ter se transformado na maior empresa de proteína do mundo. A JBS exporta para mais de 150 países, como Estados Unidos, Alemanha e Japão. É anualmente auditada por missões sanitárias internacionais e por clientes.

No Brasil, há 2.000 profissionais dedicados exclusivamente a garantir a qualidade dos produtos JBS e das marcas Friboi e Seara. Todos os anos, 70 mil funcionários têm treinamento obrigatório nessa área.

No despacho da Justiça, não há menção a irregularidades sanitárias da JBS. Nenhuma fábrica da JBS foi interditada. Ao contrário do que chegou a ser divulgado, nenhum executivo da empresa foi alvo de medidas judiciais. Um funcionário da unidade de Lapa, no Paraná, foi citado na investigação. A JBS não compactua com desvios de conduta e tomará todas as medidas cabíveis.

Por fim, a JBS reforça seu comprometimento com a qualidade de seus produtos e reitera seu compromisso histórico com o aprimoramento das práticas sanitárias".

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