Doria defende direito de vereador visitar escola

Bruno Ribeiro e Fernando Soares

Porto Alegre

O prefeito João Doria (PSDB) defendeu ontem o direito de vereadores como Fernando Holiday (DEM), do Movimento Brasil Livre (MBL), de fazer visitas a escolas municipais. Disse, no entanto, que a "forma" dessas entradas deveria ser regulada. A declaração foi feita no mesmo dia em que a bancada do PT na Câmara Municipal anunciou que fará ações de conscientização de pais contra a gestão Doria na porta das unidades.

"Eles não podem ser impedidos de fazerem visitas. Apenas a forma (em que elas ocorrem) deveria ser regulada", disse o prefeito, durante evento ocorrido ontem em Porto Alegre, que contava também com a participação de Holiday.

Na semana passada, o vereador chamou o secretário de Educação da capital, Alexandre Schneider, de "mentiroso e incompetente" ao comentar as críticas feitas pela secretaria, por meio de nota, contra a sua entrada em uma escola municipal. Para Schneider, Holiday tentou "intimidar" professores, o que seria "inadmissível".

O integrante do MBL publicou um vídeo na entrada de uma escola onde foi supostamente para verificar se professores estavam "doutrinando" os alunos ideologicamente. Ele apresentou um projeto de lei em que defende a criação de um projeto de "Escola sem Partido" na cidade, que proíbe professores de expressarem opiniões políticas durante as aulas.

Holiday disse que não esperava a demissão do secretário após o episódio, mas se mostrou decepcionado por não receber uma "retratação" de Schneider. "Esperava que o secretário admitisse o óbvio, que ele não ouviu os lados antes de publicar a nota que publicou. Infelizmente, ele prefere continuar como um mentiroso incompetente", sustentou novamente ontem. Em relação às postagens contra o secretário na rede social, que buscavam vinculá-lo ao PSOL e o acusavam de mentiroso, o vereador diz que os simpatizantes do MBL "relembraram o histórico daquele que hoje tem o poder da pasta de Educação." O Estado procurou Schneider, que não respondeu.

Campanha

Paralelamente à briga entre o MBL, primeiro grupo a lançar Doria como candidato à presidência da República, e o secretário municipal da Educação - que tem a missão de cumprir uma das tarefas consideradas mais difíceis do prefeito: zerar a fila por vagas em creches -, a bancada do PT anunciou ontem que também fará das escolas municipais palco de trabalho de base do partido na periferia. A partir de quinta-feira, membros petistas começarão uma campanha contra as ações adotadas pelo prefeito neste começo de mandato. Serão alvo mudanças no programa Leve Leite, que de um lado reduziu a quantidade de leite distribuído aos alunos de rede municipal e retirou o benefício dos alunos de 7 a 14 anos, e de outro passou a dar um quilo de leite para crianças em situação de alta vulnerabilidade social.

O partido fará ações de conscientização das mudanças na porta de escolas da periferia, com os pais e mães como público-alvo. "Não vamos entrar na escola. Vamos ficar na via pública, conversando na porta. Não é nada parecido com o que o Holiday fez", disse o líder da bancada petista, Antonio Donato. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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