Governo 'deixava pontas soltas' em MPs e aumentava 'custo Congresso', diz Odebrecht

Beatriz Bulla, Breno Pires, Fabio Serapião, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

São Paulo e Brasília

O presidente afastado da Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht, afirmou em sua delação premiada que o "custo Congresso" aumentava com as "pontas soltas" deixadas pelo governo federal na edição de medidas provisórias (MPs).

"(Em) várias MPs, não era incomum o governo deixar pontas soltas. E a gente ter que ajustar via relator no Congresso", afirmou Odebrecht, em seu Termo 31, da delação premiada fechada com a Procuradoria Geral da República (PGR). "Isso aumentava o custo no Congresso", afirmou.

"O termo 31 trata do regime de tributação de lucros no exterior/pleito de favorecimento fiscal. Esse é um dos temas que transitou na minha agenda com o Guido", disse o delator.

O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega era um dos interlocutores de Odebrecht com o governo Dilma Rousseff, para acertos de propinas para o PT - identificado nas planilhas secretas do grupo como "Pós-Itália".

Segundo Marcelo Odebrecht, no governo federal, o assunto foi tratado com Mantega, e no Senado e na Câmara com o senador Romero Jucá (PMDB-RO) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), respectivamente.

Defesa

"Sempre estive e sempre estarei à disposição da Justiça para prestar qualquer informação. Nas minhas campanhas eleitorais sempre atuei dentro da legislação e tive todas as minhas contas aprovadas", disse o senador Romero Jucá.

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