'Jamais pagaria propina', disse Marcelo Odebrecht a Moro antes da delação

Julia Affonso, Fausto Macedo, Ricardo Brandt e Luiz Vassallo

São Paulo

  • Giuliano Gomes - 1º.set.2015 /Estadão Conteúdo

    Marcelo Odebrecht fala durante audiência da CPI da Petrobras realizada no prédio da Justiça Federal

    Marcelo Odebrecht fala durante audiência da CPI da Petrobras realizada no prédio da Justiça Federal

Em 29 de outubro de 2015, o maior empreiteiro do país, Marcelo Odebrecht, entrou na sala do juiz federal Sergio Moro com um discurso pronto, no qual afirmou categoricamente, ao magistrado da Lava Jato, jamais ter orientado pagamento de propina. O depoimento de Odebrecht foi por escrito - ele entregou a Moro uma lista de perguntas e repostas preparadas por sua própria defesa e se recusou a responder o interrogatório.

Odebrecht havia sido preso quatro meses antes, em 19 de junho. Quatro meses depois da audiência, em fevereiro de 2016, a Odebrecht e seu líder sofreram um golpe inesperado: a prisão de Maria Lucia Tavares, secretária do emblemático Setor de Operações Estruturadas, o famoso "Departamento de Propinas" do Grupo.

Maria Lucia entregou à Lava Jato os segredos do setor e os caminhos da propina paga a políticos e agentes públicos. Começava aí a ruir a versão inicial de Marcelo Odebrecht. Em dezembro de 2016, o empreiteiro e outros 76 executivos da Odebrecht fecharam acordo de delação premiada por meio do qual todos confessam uma longa rotina de pagamentos ilícitos.

'Acusação injusta'

No documento que entregou ao juiz federal Sérgio Moro, o empreiteiro apresentou uma sequência de 60 perguntas a ele próprio, escolhidas seletivamente por seus advogados. A estratégia era evitar questionamentos do juiz Moro.

A pergunta 32 era relativa à corrupção. "32. O senhor já efetuou pagamentos de propina ou orientou que fossem feitos pagamentos de propina? O senhor tem conhecimento de pagamento de propina pela Odebrecht?"

"Resposta de Marcelo Odebrecht: Não e não. Jamais orientaria esse tipo de conduta ilegal. Esta acusação é profundamente injusta. Aliás, isso também está comprovado nos autos, que não apontam nenhuma conduta minha nesse sentido."

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