Crise faz Casa do Zezinho, em SP, reduzir atendimento

Edison Veiga

São Paulo

  • Gabriela Fujita/UOL

    7.mar.2017 - Tia Dag, fundadora da Casa do Zezinho, no Capão Redondo (São Paulo)

    7.mar.2017 - Tia Dag, fundadora da Casa do Zezinho, no Capão Redondo (São Paulo)

A crise financeira está colocando em risco a continuidade da Casa do Zezinho, projeto que funciona há 23 anos no Capão Redondo, zona sul de São Paulo, atendendo a crianças e jovens em situações de vulnerabilidade social. Dos 1,5 mil atendidos até o ano passado, 600 precisaram ser cortados neste ano.

"É uma escolha muito difícil. Estamos tentando manter os que são mais vulneráveis, os de renda mais baixa", conta a fundadora da ONG, a psicopedagoga Dagmar Rivieri Garroux, a Tia Dag, de 63 anos.

Apesar da redução das crianças atendidas, ela se recusa a falar em cancelamento de matrículas ou cortes. "São vagas que estão adormecidas. Tenho certeza de que vamos conseguir reverter a situação", diz.

A maior parte do orçamento da Casa do Zezinho vem de patrocínio de empresas parceiras. Eram 21 até o ano passado e agora são 15. "E perdemos seis das que pagavam mais. Este ano, estamos trabalhando com 40% a menos de investimento", diz. Cada "zezinho" custa R$ 500 por mês.

O corte dos aportes fez com que a instituição diminuísse as atividades oferecidas. A orquestra, por exemplo, foi encerrada. Assim como a oficina de comunicação. O curso noturno para adultos também não está funcionando mais. O projeto de saúde comunitária foi reduzido. "Nada foi encerrado", corrige Tia Dag. "São cursos adormecidos. Uma hora vem o príncipe, beija o sapo, e tudo volta ao normal."

No meio de 2016, a ONG contraiu uma dívida de R$ 1 milhão para manter as atividades. Recentemente, um grupo de empresários - eles se autointitulam Bonde do Zezinho - tem ajudado a saldar o débito, hoje na casa dos R$ 600 mil. "Tenho esperança de que alguns desses empresários se tornem apoiadores permanentes", vislumbra Tia Dag.

O embrião da Casa do Zezinho começou nos anos 1970, quando Dagmar já trabalhava com crianças vivendo traumas circunstanciais. Na época, ela recebia filhos de refugiados políticos oriundos de ditaduras na América Latina em bairros da zona sul. E também lidava com aqueles que eram vítimas das mazelas do subdesenvolvimento, especificamente na Favela do Fede, no Morro da Lua, também na zona sul.

Como instituição formalizada, a Casa do Zezinho foi criada há 23 anos. Desde então, já atendeu a mais de 20 mil crianças e adolescentes. Ali, elas encontram aulas e oficinas pedagógicas, orientações sociais e psicológicas e alimentação.

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