Estudantes da USP fazem paralisação em defesa do Hospital Universitário

José Maria Tomazela

Sorocaba

Estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) programaram uma paralisação para esta quarta-feira, 19, em protesto contra o sucateamento do Hospital Universitário da USP. Manifesto divulgado pelo Centro Acadêmico Oswaldo Cruz (CAOC) informa que o hospital, que recebe 2.430 estudantes por ano, passa por grande dificuldade de gestão, em um momento em que a reitoria quer desvincular o HU da universidade.

Segundo a nota, ao menos 200 funcionários foram demitidos nos últimos anos, resultando em fechamento de leitos e prontos atendimentos, e em diminuição na oferta de saúde para a região oeste da capital, que tem o hospital como referência para o serviço secundário de saúde. O impacto, afirma, é ainda maior na formação de todos os estudantes de saúde que possuem vivências, estágios, aprimoramentos e pós-graduação no HU.

Uma série de eventos vai acontecer em uma mobilização que se inicia na Faculdade de Medicina, em Pinheiros, e prossegue em frente ao hospital, na Cidade Universitária. A manifestação é conjunta com o Centro Acadêmico Arnaldo Vieira de Carvalho (CAAVC) e tem apoio de representações acadêmicas da Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional, e do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP, além do sindicato dos médicos e de funcionários da instituição. "Vamos discutir as consequências dessa possível desvinculação e alternativas de soluções que contem com a opinião dos moradores da região e dos estudantes, funcionários e docentes da USP", disse Deivid Déda, da diretoria do CAOC.

Segundo ele, o hospital está saturado de demandas da atenção primária por causa da baixa densidade de equipamentos da atenção básica na região oeste, o que também mereceria um posicionamento do município. Ele lembrou que o Hospital das Clínicas da Universidade do Estado de São Paulo (Unesp) teve sua gestão desvinculada na tentativa de solucionar sua crise, mas relatórios independentes mostram que a ação foi prejudicial ao próprio hospital e ao ensino.

De acordo com Gerson Salvador, diretor do Simesp e médico do HU, o hospital enfrenta a pior crise de todos os tempos, com redução de 25% nos leitos. "Há muitos leitos fechados devido à falta de profissionais que vem aumentando desde a implantação do plano de incentivo de demissão voluntária, instituído pela reitoria."

Procurada pela reportagem, a reitoria da USP informou que não se manifestaria sobre as questões colocadas pelos estudantes. Esclareceu, no entanto, que o programa de incentivo à demissão voluntária foi voltado para todos os funcionários da universidade, não apenas ao HU.

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