Bruno Araújo se diz inocente e "constrangido' por estar na lista de Fachin

Célia Froufe, enviada especial

Lisboa

O ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB-PE), explicou nesta quarta-feira, 19, que a petição feita na última segunda-feira (17) à noite para que o inquérito que o investiga sobre o recebimento de recursos da Odebrecht seja separado da Lava Jato teve como objetivo deixar claro que, no seu caso, as apurações não têm relação com a operação iniciada pela Polícia Federal. "A questão é mais política que jurídica. Politicamente, é muito importante nos distanciar do tema Lava Jato", afirmou.

Araújo disse que "fatos eventualmente imputados a nós" são fortemente repelidos e enfatizou mais uma vez que não têm qualquer conexão com o caso da Petrobras. "Nesse primeiro momento, além de apreciar como tendo sido descabida qualquer imputação de corrupção, queremos nos distanciar de temas que, conforme os próprios delatores, nunca tiveram qualquer relação de contrapartida", reforçou.

O ministro diz ficar surpreso com a reação de quem é informado sobre ter o nome em listas. "Vejo sempre de quem aparece nas listas que acham que as investigações são naturais, que fazem parte das instituições democráticas", disse. "Estou mais do que constrangido. Quem tem vergonha na cara tem que se constranger. Diferente disso, é não saber o que isso significa", argumentou. Para o ministro, o constrangimento só pode de ser reparado por meio de um processo no STF.

De acordo com o Ministério Público, um dos colaboradores no processo de delação informou que, diante da influência do parlamentar Bruno Araújo (que é deputado federal), decidiu-se manter com ele uma boa relação. Vários repasses foram feitos nos anos de 2010 e 2012 como doação eleitoral no valor de R$ 600 mil, uma soma não contabilizada e paga pelo Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht.

Um dos delatores também disse que quando no exercício do cargo de deputado federal, Araújo agiu em defesa dos interesses da construtora no Congresso Nacional. Segundo o relatório do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, o procurador-geral da República sustenta haver indícios de que o agora ministro praticou os crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e corrupção ativa.

Bruno Araújo falou com jornalistas na capital portuguesa antes de participar do segundo dia do V Seminário Luso-Brasileiro de Direito, promovido pela Escola de Direito de Brasília do Instituto Brasiliense de Direito Público (EDB/IDP) e pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL).

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