Senadores são hostilizados após aprovação de propostas na CCJ

Erich Decat e Julia Lindner

Brasília

Um grupo de cerca de 15 mulheres cercou senadores na saída da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) após os integrantes do colegiado aprovarem nesta quarta-feira, 26, a proposta que atualiza a lei do abuso de autoridade e a que estabelece o fim foro privilegiado.

Relator do texto final do abuso de autoridade, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) foi o primeiro a ser abordado. "Você está na operação Carne Fraca. Está na Lava Jato e agora quer aprovar uma proposta que o povo não quer", gritou uma das mulheres. O peemedebista não reagiu com agressividade e ressaltou que representa "o povo do Paraná".

Outro alvo dos protestos foi o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), que foi acompanhado pelo grupo até a entrada do plenário que gritava palavras de ordem contra o tucano. O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), também foi cercado. "O povo diz não", afirmou uma das integrantes do grupo. "Ladrão", gritou outra.

Andando em direção ao gabinete da liderança, Renan reagiu quando uma das mulheres, filmando-o com o celular, se aproximou de forma mais ostensiva. "Fale baixo e abaixe a mão", disse Renan. Ela respondeu: "Vocês estão com poder, podem tudo".

Após se desvencilhar do grupo, Renan defendeu a aprovação do fim do foro privilegiado. "A pesquisa Paraná diz que 60% da população aprova, ao contrário do que diz os veículos de comunicações. Foi muito bom", comemorou.

Tanto a proposta do abuso de autoridade quanto a que estabelece o fim do foro devem ser votadas na tarde desta quarta no plenário do Senado. Por ser uma proposta de emenda à Constituição, a que prevê o fim do foro precisa ser aprovada em dois turnos com apoio de ao menos 41 votos. Já o projeto do abuso de autoridade se aprovada nesta quarta no plenário segue para discussão da Câmara.

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