Temer diz que reações às reformas são típicas da democracia

Julianna Granjeia

São Paulo

O presidente Michel Temer (PMDB) evitou comentar assuntos polêmicos - como Lava Jato e pesquisas eleitorais - durante sua participação na cerimônia oficial de abertura da Japan House, na região central de São Paulo, neste domingo, 30. Em seu discurso, aproveitou a deixa do governador Geraldo Alckmin (PSDB) para enaltecer as reformas de sua gestão.

Alckmin, que discursou antes de Temer, destacou a reforma trabalhista. "Permitam-me destacar a importância da reforma trabalhista aprovada na Câmara dos Deputados. Saímos de um modelo contratual, aliás, de um modelo estatutário de cima para baixo para um novo modelo de relações contratuais muito melhores neste momento do mundo", afirmou Alckmin.

Ao lado do vice-primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, Temer disse que já havia comentado com ele sobre as mudanças que estavam acontecendo no País.

"Como o governador teve a delicadeza de citar as reformas, eu gostaria de dizer que, num primeiro momento, alguns assuntos podem gerar incompreensões, objeções e contradições, que são reações típicas da democracia plena que nós vivemos no nosso País. O brasileiro é um povo naturalmente otimista. Aconteça o que acontecer, haja protestos ou não, vamos continuar a trabalhar", disse o presidente.

Temer deixou o evento sem falar com a imprensa. Alckmin, antes de sair, respondeu aos pedidos dos repórteres: "O João (Doria) fala em nosso nome", referindo-se ao prefeito de São Paulo.

No dia em que a pesquisa Datafolha, divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo, revelou que Doria tem entre 5% e 11% das intenções de voto - à frente de Aécio Neves e de Alckmin - o prefeito, não quis comentar seu desempenho.

"É um cenário ainda muito antecipado. Pesquisa a essa hora reflete muito pouco para uma eleição que é em outubro do ano que vem. Não desrespeitando o resultado, nem tampouco o que ela reflete", afirmou o prefeito.

Aécio aparece na pesquisa com entre 5% e 8% de intenção, enquanto Alckmin tem entre 3% e 8% . O resultado varia de acordo com quem estiver na disputa.

Questionado se o resultado poderia atrapalhar a relação com Alckmin, Doria negou. "Não há nada, absolutamente nada, que abale a minha relação com o governador Geraldo Alckmin. Volto a repetir, nada, absolutamente nada, que possa abalar uma relação de 37 anos de amizade, respeito e de bom entendimento" , afirmou o prefeito.

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