Doria é alvo de protestos de ciclistas em inauguração de praça no Paraíso

Eduardo Laguna

São Paulo

O prefeito João Doria (PSDB) voltou a receber hoje protestos contra o aumento da velocidade permitida nas marginais durante a inauguração da praça Ayrton Senna, no Paraíso, bairro da região central de São Paulo.

Os manifestantes que foram ao local criticaram as mortes de trânsito registradas após a mudança no limite de velocidade e também pediram a manutenção das ciclovias.

Um dia após o prefeito atirar de seu carro flores amarelas entregues por uma cicloativista, alguns manifestantes voltaram a levar flores hoje a Doria.

Entre eles, o psicólogo Gabriel Siqueira disse ter sido agredido a bandeiradas quando tentou

entregar flores no momento em que Doria chegou à praça junto com o vice-prefeito Bruno Covas. Siqueira disse que, na confusão, não conseguiu identificar o agressor.

"As políticas da atual gestão, com aumento de velocidade e retirada das ciclovias, prejudicam a segurança de ciclistas e pedestres", criticou o ativista, acrescentando que levou as flores em lembrança dos mortos em acidentes nas marginais.

Mais tarde, no palco que reuniu autoridades na cerimônia de inauguração da praça, Doria recebeu flores, mas em homenagem feita pela presidente do Instituto Ayrton Senna, Viviane Senna.

"Essas são flores do bem, não foram entregues com ódio. Foram dadas com o coração", afirmou Doria, em menção ao episódio de ontem, ao receber a homenagem da irmã do piloto de Fórmula 1 falecido em acidente há 23 anos no GP de San Marino.

"Não será nenhum ativista, petista ou outro ista que vai me colocar contra a parede", disse em seu

discurso. "As flores que quiseram me entregar ontem eu dedico a Lula, a Dilma e aos 14 milhões de desempregados no País", acrescentou.

Também empunhando flores, o professor Marcos de Luca disse que foi à praça em nome das mortes no trânsito da capital paulista. Segundo ele, Doria insiste em não reconhecer essas mortes como resultado dos novos limites de velocidade e adota um discurso de culpabilização das vítimas. "Se as velocidades fossem mais baixas, as fatalidades seria menores", afirmou o manifestante.

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