Aliados tentam 'blindar' governadores de investigações da Lava Jato

Liana Costa, especial para AE

Brasília

A inclusão de seus nomes na lista de investigados pelo Ministério Público Federal em razão da delação da Odebrecht levou os governadores a buscar estratégias para se blindarem contra futuras investigações e se manterem no jogo eleitoral para 2018, destaca o jornal O Estado de S. Paulo. Nas últimas semanas, os políticos reforçaram os laços com suas bases eleitorais, articularam aliados para barrar a instalação de CPIs e investiram em uma agenda positiva.

Em São Paulo, uma nova proposta de regimento foi apresentada há uma semana pelo presidente da Casa, deputado Cauê Macris (PSDB). O projeto, entre outras mudanças, extingue a verificação de presença, recurso utilizado pela oposição para obstruir votações, e estende o tempo de discussão em comissões de 30 dias para 30 sessões, o que pode travar a agenda e dificultar a proposição de novas pautas.

A estratégia é semelhante à utilizada por deputados da base do governador Paulo Hartung (PMDB) na Assembleia do Espírito Santo. No dia 5 de abril, parlamentares da oposição apresentaram requerimento para uma CPI da Companhia Espírito Santense de Saneamento Básico (Cesan). Duas semanas depois, no entanto, no dia da leitura do documento, os deputados Padre Honório (PT), José Esmeraldo (PMDB) e Gilsinho Lopes (PR) solicitaram a retirada de seus nomes, desfalcando o número de assinaturas necessárias para a instalação da CPI.

A manobra só foi possível graças à publicação, no dia anterior, de resolução que alterou o regimento interno da Casa, permitindo a retirada de assinaturas após a protocolização de requerimentos. Um grupo de 20 deputados da base havia se reunido, um dia antes da mudança de regimento, para um café da manhã com Hartung no Palácio Anchieta, sede do governo estadual. A expectativa da oposição agora é coletar assinaturas para a instalação de uma CPI da Odebrecht, uma das empresas que mantém contato com a Cesan.

No Paraná, parlamentares da oposição também se articulam para a instalação de uma CPI envolvendo contratos de órgãos estaduais e a Odebrecht. O alvo da comissão parlamentar seria a PR-323, rodovia cuja concessão milionária vencida pela construtora é hoje alvo de investigação pela Operação Lava Jato. Segundo membros da oposição, contudo, a CPI não deve entrar em pauta nos próximos meses, pois a agenda da assembleia paranaense se encontra lotada com outros pedidos de investigação solicitados por parlamentares da base do governador Beto Richa (PDB).

No dia 15 de fevereiro, já antevendo a inclusão de Richa na "lista de Fachin", foram protocolados requerimentos de cinco CPIs pelos deputados Fernando Scanavaca (PDT), Márcio Pauliki (PDT), Tião Medeiros (PTB), Hussein Bakri (PSD) e André Bueno (PSDB), todos aliados de Richa. Em março, uma outra CPI sobre tarifas portuárias foi solicitada por Scanavaca. "Eles fecharam a agenda pelos próximos cinco, seis meses. São CPIs tiradas da cartola sobre temas muito vagos por deputados aliados. Infelizmente, no Paraná, o legislativo acaba sendo um braço do governador", disse o líder da oposição na Alep, deputado Tadeu Veneri (PT).

Agenda

Diante da repercussão negativa das delações da Odebrecht, o esforço dos governadores é para manter a aparência de que nada os atingiu. Nos dias que se seguiram à divulgação das denúncias, vários políticos reforçaram a agenda de compromissos com eventos públicos e pautas positivas, como entrega de equipamentos, visitas a canteiro de obras e divulgação de pacotes de investimentos.

Em Alagoas, o governador Renan Filho, provável candidato à reeleição em 2018, manteve-se ocupado durante as três últimas semanas com uma inspeção nas obras do Hospital da Mulher, a inauguração da recuperação de um trecho de uma rodovia estadual e a entrega de 8.500 cisternas em Santana do Ipanema, entre outros compromissos amplamente documentados em suas redes sociais.

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