Ministério liga monitoramento falho à alta no desmate

Giovana Girardi e Herton Escobar

São Paulo

A suposta falta de um sistema de monitoramento em tempo real do desmatamento da Amazônia foi justificado pelo Ministério do Meio Ambiente como o motivo para o aumento de 30% da perda da floresta no ano passado. Também foi o argumento usado para a contratação de serviços privados que possam fornecer esse tipo da informação.

Conforme o Estado divulgou ontem, a pasta publicou um edital com valor previsto de R$ 78,5 milhões para contratar serviços de monitoramento por satélite e geoprocessamento semelhantes aos hoje já prestados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O secretário executivo do ministério, Marcelo Cruz, afirmou que o objetivo não é substituir o Prodes, sistema que fornece a taxa oficial anual de perda da Amazônia. "Mas eu preciso que minhas equipes de fiscalização identifiquem o polígono correto que temos de atacar para inibir o desmatamento com comando e controle", disse.

Segundo ele, a alta do ano passado foi um "susto". "O desmatamento estava aumentando desenfreadamente e a gente não tinha nenhuma sinalização de quem quer que seja. A gente não tinha como dar suporte para a fiscalização", disse. Ele alega que outro sistema do Inpe, o Deter, criado justamente para fornecer alertas em tempo real para guiar a fiscalização, "não está resolvendo". O instrumento é rápido, mas "míope", e de fato não enxerga quando há muitas nuvens. Mas foi com ele, que existe desde 2004, que o governo conseguiu em anos anteriores atuar para reduzir o desmatamento, em especial nos anos de 2011, 2012 e 2013.

Para Cruz, o Deter "não evoluiu na velocidade necessária". Ele defende uma combinação de satélites ópticos com radares poderia resolver o problema. "Nossa expectativa é que se a gente conseguir identificar com mais precisão esses pontos e a gente tiver condição orçamentária para fazer as equipes de fiscalização ir ao ponto correto, a expectativa é reduzir 20% o desmatamento."

O diretor do Inpe, Ricardo Galvão, disse que participou de várias reuniões com Ibama e MMA e nunca foi feita nenhuma crítica ao trabalho do Inpe. Ele explicou que os dados brutos do Deter são repassados diariamente ao Ibama, mas que precisam ser analisados corretamente para identificar os desmatamentos com precisão.

Por um acordo de cooperação firmado no fim de 2016, o Inpe fornece uma interpretação semanal dos dados, mas o Ibama também realiza a própria. "Tem havido muitas discordâncias sobre isso", disse. "Uma coisa é dado, outra é interpretação. Se o Ibama usou os dados erradamente, não é culpa do Inpe." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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