Prefeitura suspende corte de figueira em São José dos Campos após protestos

José Maria Tomazela

Sorocaba

Alegando risco de acidentes, a prefeitura decidiu cortar uma figueira que está há mais de 150 anos na Praça Dom Bosco, região central de São José dos Campos, interior de São Paulo. A supressão da árvore, de 12 metros de altura, estava programada para o último domingo, 7, mas foi adiada porque ambientalistas e moradores se mobilizaram contra o corte.

A administração alega que a árvore está infestada de fungos e cupins, já registrou quedas de galhos e pode desabar sobre pessoas e veículos. A figueira, plantada em 1865, é tombada pelo patrimônio histórico e declarada imune ao corte desde 1992.

No fim de abril, o Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico, Paisagístico e Cultural (Comphac) deu parecer autorizando o corte, com base em laudo técnico da Assessoria de Arborização e Áreas Verdes do município. No dia marcado para a derrubada, moradores e ambientalistas se mobilizaram para abraçar a árvore. O corte foi suspenso.

De acordo com a prefeitura, a equipe que avaliou a planta é a mesma que está envolvida na recuperação do jequitibá-rosa de 500 anos no distrito de Eugênio de Melo. No caso da figueira, o laudo indica que a árvore teria chegado ao fim de seu ciclo vital.

Para a ambientalista Vera Assis, ex-conselheira do Meio Ambiente do município, o corte só pode acontecer depois que se esgotarem as alternativas de tratamento. Segundo ela, é possível fazer um escoramento para evitar a queda dos galhos, o que ainda não foi tentado.

O destino da árvore é discutido em redes sociais. "Com o jequitibá, tanto cuidado; já com essa que viu grande parte da história da cidade se decreta a morte", postou o jornalista Julio Ottoboni. "Melhor cortar do que cair e ferir alguém", escreveu Marina Rigotti.

Nesta terça-feira, 9, a prefeitura informou que as equipes técnicas discutem os próximos passos em relação à figueira.

Preservação

Em Pindamonhangaba, na mesma região, o Conselho do Patrimônio Histórico, Cultural, Ambiental e Arquitetônico agiu a tempo de salvar a 'Figueira dos Taipas', árvore com idade estimada em cerca de 400 anos. Com o tronco oco e danificada por queimadas, a árvore passou por um processo de concretagem e reforço dos galhos.

De acordo com a historiadora Karina Lacorte, o primeiro registro oficial da figueira data de 1817, quando a princesa Leopoldina passou pelo local com uma expedição austríaca, a caminho do Rio de Janeiro para casar-se com D. Pedro I.

Relatos dão conta de que D.Pedro também parou sob a árvore para descansar quando seguia para São Paulo para o Grito da Independência.

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