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Dilma assumiu a gestão financeira da campanha de 2014, diz marqueteiro

2.out.2014 - A então candidata à reeleição, Dilma, conversa com o marqueteiro João Santana nos bastidores de um debate - Danilo Verpa/Folhapress
2.out.2014 - A então candidata à reeleição, Dilma, conversa com o marqueteiro João Santana nos bastidores de um debate Imagem: Danilo Verpa/Folhapress

Rafael Moraes Moura e Breno Pires

Brasília

12/05/2017 15h08

O marqueteiro João Santana afirmou, em delação premiada, que a ex-presidente Dilma Rousseff teria assumido o "controle da gestão financeira" da campanha eleitoral de 2014. Segundo Santana, a ex-presidente teria marcado um encontro, no início de 2014, para "tranquilizar" o marqueteiro sobre a forma de custear a campanha, que passaria a ser gerenciada pelo então ministro da Fazenda Guido Mantega.

"Ela disse: 'Eu quero primeiro lhe tranquilizar em relação à campanha de 2014. Eu estou criando um sistema que você pela primeira vez poderá ser pago até antecipadamente'", relatou Santana. O sistema, descreve o delator, excluiria o então tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

A presteza prometida não teria, no entanto, se concretizado, conforme explica o marqueteiro: "Era para entrar o dinheiro, e o Guido não conseguiu viabilizar. Foi paga uma parte, mas não com a presteza e a antecipação com que havia sido garantido".

João Santana e a mulher, Mônica Moura, foram responsáveis pelas campanhas do PT à Presidência da República em 2006, 2010 e 2014.

A colaboração de Santana e de Mônica Moura, além de André Santana, funcionário do casal, foi assinada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta sexta-feirav 12, o Supremo divulgou os vídeos com os depoimentos do casal.

Procurada nesta sexta-feira, a assessoria da ex-presidente Dilma não se manifestou. Na quinta, após o STF retirar o sigilo dos depoimentos, a assessoria de imprensa de Dilma disse que "João Santana e Mônica Moura prestaram falso testemunho e faltaram com a verdade em seus depoimentos, provavelmente pressionados pelas ameaças dos investigadores". COLABORARAM BERNARDO GONZAGA E LIANA COSTA, ESPECIAIS PARA AE