Em Nova York, Doria volta a atacar Lula e ressalta laços com Alckmin

Claudia Trevisan, enviada especial

Nova York

A baleia azul gigante do Museu de História Natural de Nova York pairou sobre a homenagem que João Doria recebeu na cidade nesta terça-feira, 16, mas o animal que rondava o salão com quase 1.000 convidados era o "elefante branco" de sua candidatura à Presidência em 2018. O prefeito pretendia fazer um discurso centrado em sua gestão em São Paulo, mas fugiu do script para atacar os governos petistas e se apresentar como o seu antídoto.

"Eu vou continuar a ser o João trabalhador. Eu vou continuar a ser uma pessoa que vai trabalhar e que vai se dedicar exatamente de forma oposta àquilo que Luiz Inácio Lula da Silva e seus asseclas nunca fizeram nos últimos anos no Brasil: trabalhar, trabalhar, trabalhar", afirmou o prefeito, no momento mais aplaudido do discurso em que agradeceu o prêmio "Personalidade do Ano", entregue pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos em Nova York.

"Vocês não podem se calar", disse Doria à plateia de homens de smoking e mulheres de vestidos longos, formada por empresários e executivos. "Essa maioria, se silenciosa ficar, a minoria ruidosa vai ganhar. E não pode. Não pode. Porque ninguém quer para os seus filhos e para os seus netos aquele mundo que estava previsto até um ano atrás."

O tucano afirmou que os petistas "quase destruíram" o Brasil e sua economia e disse que será uma voz para "lembrar essas mazelas". Em nenhum momento Doria fez referência explícita à disputa presidencial ou à sua potencial candidatura, mas toda a simbologia do evento apontava nessa direção.

Doria foi apresentado pelo publicitário Nizan Guanaes, que leu uma carta de Fernando Henrique Cardoso, na qual o ex-presidente elogiou a capacidade do prefeito de se comunicar com a população. "Gestos e palavras são meios adequados para ser a chave da política contemporânea", disse FHC.

O pronunciamento do prefeito foi precedido de um vídeo sobre sua trajetória, da infância até sua eleição no primeiro turno no ano passado. A peça foi encerrada com a imagem da bandeira do Brasil e a música que celebrava as vitórias de Ayrton Senna.

A sombra da candidatura também apareceu nos sucessivos elogios de Doria a outro presidenciável tucano que estava na cerimônia, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. "Esse homem político extraordinário, meu amigo de 37 anos", exaltou o prefeito, que se referiu ao governador mais três vezes em um discurso de menos de 20 minutos.

Na manhã desta terça, Doria contemplou pela primeira vez a possibilidade de disputar a prévia do PSDB para definição do candidato do partido à presidência, o que o colocaria na posição de rival de seu padrinho político.

O embaixador do Brasil nos EUA, Sergio Amaral, leu uma carta do presidente Michel Temer, na qual ele se referiu ao processo de reformas do Brasil e defendeu o fortalecimento da relação entre os dois países.

O prêmio da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos em Nova York é concedido todos os anos a um brasileiro e a um americano que tenham se destacado no fortalecimento de laços entre os dois países. A edição desta terça-feira foi a 47ª. Doria foi homenageado ao lado de Thomas Shannon, ex-embaixador dos EUA no Brasil que hoje ocupa a Subsecretaria para Assuntos Políticos no Departamento de Estado - um dos mais importantes postos da diplomacia americana.

No ano passado, os homenageados foram o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga e o ex-secretário do Tesouro dos EUA Timothy Geithner. Em 2015, o prêmio foi entregue aos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Bill Clinton.

Antes da cerimônia, Doria recebeu cumprimentos no saguão de entrada do Museu de História Natural, onde os convidados faziam selfies em frente aos esqueletos de dinossauros que ocupam o centro do salão. Entre os representantes do PIB brasileiro estavam Roberto Setúbal, do Itaú, Luiz Trabuco, do Bradesco, e Benjamin Steinbruch, da CSN.

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