GSI abrirá processo administrativo para apurar falha de segurança no caso Joesley

Tânia Monteiro

Brasília

O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) vai abrir um processo administrativo para verificar falhas de segurança que possam ter ocorrido no episódio que envolveu a entrada do presidente da JBS, Joesley Batista, no Palácio do Jaburu, na noite do dia 7 de março, sem ser identificado, quando se reuniu com o presidente Michel Temer e gravou a conversa que teve com ele. A informação foi dada à reportagem pelo ministro do GSI, general Sérgio Etchegoyen.

"É preciso verificar o procedimento e todos os problemas que envolvem este caso, em uma espécie de investigação do Cenipa (Centro de investigação de e prevenção de acidentes aeronáuticos), não para punir ninguém, mas para verificar as falhas ocorridas e corrigi-las", disse o general acrescentando que "não procuramos culpados, mas soluções preventivas".

O ministro anunciou ainda que está em processo de compra do equipamento a ser instalado no gabinete presidencial do Planalto que impedirá qualquer tipo de gravação do presidente da República, sem que ele tenha conhecimento. A ideia é usar uma solução tecnológica, que possibilite a interferência e impeça o funcionamento de sistemas eletrônicos que façam, tanto de gravação como transmissão. Ainda não está definida a data de chegada dos aparelhos para proteger o gabinete do presidente, por conta de todo o processo burocrático que envolve as compras no serviço público.

"Precisamos ter um padrão seja no Planalto, no Jaburu ou onde o presidente da República estiver", afirmou ele, ao comentar que é preciso saber o motivo pelo qual Joesley Batista não foi identificado na chegada, que não é um procedimento correto. Para ele, é preciso encontrar uma fórmula também para que a pessoa que for conversar com o presidente não leve o celular como ocorre no Planalto, ou qualquer outro tipo de equipamento que permita a realização de grampos.

Segundo o general Etchegoyen, nem o GSI nem a Agência Brasileira Inteligência (Abin) vão realizar qualquer tipo de perícia nas fitas entregues na delação do empresário Joesley Batista. "Não temos competência para isso", declarou o ministro. Etchegoyen não falou mas, no Palácio, há desconfiança de que as fitas com a gravação da conversa de Joesley e Temer tenham passado por algum tipo de edição. Auxiliares do presidente defendiam que o GSI fizesse a perícia no material e chegaram a anunciar esta decisão, mas Etchegoyen descartou a possibilidade. O Planalto, no entanto, não abandonou a ideia e vai usar outros meios para descobrir se houve mesmo edição das fitas, como desconfiam.

Para proteger e melhorar a identificação da circulação de pessoas no Planalto, começaram a ser instaladas também as câmeras nos corredores do Palácio. O sistema será colocado em funcionamento em todas as áreas comuns do prédio principal, anexos e, depois, nos demais palácios. O objetivo é aumentar o controle e a circulação de pessoas, até mesmo com uso de cartões de acesso com chip. O Planalto está sem câmeras desde 2009, quando houve a reforma do prédio e o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desistiu de reinstalar os equipamentos ao final das obras.

Etchegoyen estava fora do País, em viagem para o Timor Leste, quando estourou a crise com a divulgação da conversa de Temer e Joesley. O ministro, que estava em escala em Nova Dheli, desistiu de prosseguir e retornou ao Brasil, desembarcando em São Paulo, na manhã desta sexta-feira.

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