Dirigentes e deputados do PSB pedem expulsão do ministro de Minas e Energia

Igor Gadelha

Brasília

  • Pedro Ladeira/Folhapress

    Os ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Filho (PSB-PE, à esquerda), e de Cidades, Bruno Araújo (PSDB-PE), que foram exonerados para poder votar a favor da PEC do teto na Câmara, em 2016

    Os ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Filho (PSB-PE, à esquerda), e de Cidades, Bruno Araújo (PSDB-PE), que foram exonerados para poder votar a favor da PEC do teto na Câmara, em 2016

Dirigentes e deputados do PSB da ala que faz forte oposição ao presidente Michel Temer (PMDB) pedem a expulsão do ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Filho (PE), do partido, por permanecer no cargo mesmo após a legenda decidir oficialmente romper com o governo.

A expulsão já foi defendida por parlamentares e integrantes da direção nacional do PSB nos grupos de WhatsApp do partido. "Vamos representar contra o Fernando Bezerra Filho. #ForaFernandoBezerraFilho", escreveu Joilson do Nascimento, secretário sindical e membro da executiva nacional do PSB.

O ministro, que é deputado licenciado, e outros parlamentares do PSB já respondem a processo que pode levar à cassação da filiação, por terem votado a favor da reforma trabalhista durante na Câmara, em abril deste ano, contrariando decisão do partido de fechar questão contra a proposta.

"Esse fato agrava a situação do ministro no processo que ele já responde por infidelidade partidária, no âmbito da comissão de ética do PSB. O partido repudia a presença de seus membros nesse governo, mesmo que não tenha sido indicado pela sua direção nacional", afirmou o presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Renúncia e diretas

Em reunião nesse sábado (20), o PSB decidiu desembarcar do governo Temer após o presidente ser atingido pela delação de executivos da JBS. O partido pede a renúncia de Temer e defende eleições diretas para presidente, caso Temer renuncie, seja cassado ou sofra impeachment. Hoje, a Constituição Federal prevê eleição indireta nesses casos.

Na reunião, o PSB decidiu desembarcar do governo, mas não estabeleceu punição para quem permanecesse. "Não determinamos a saída, apostando no bom senso, que, infelizmente, não há. Não houve decisão de que não de que não haveria punição", rebateu o presidente da sigla.

O rompimento com o governo Temer foi defendido pela ala do PSB ligada ao governador de Pernambuco, Paulo Câmara, mesmo grupo do ex-governador daquele Estado Eduardo Campos. Essa grupo já defendia independência da sigla em relação ao governo antes mesmo da divulgação da delação da JBS.

O grupo de Fernando Bezerra Filho, porém, sempre foi contra e quer permanecer no governo. Compõem esse grupo, o pai do ministro, o senador Fernando Bezerra (PE), e a líder do partido na Câmara, Tereza Cristina (MS), entre outros parlamentares.

48 horas

Após a reunião da executiva do PSB desse sábado, o ministro de Minas e Energia pediu até 48 horas para anunciar se fica ou não no cargo. Até o momento, ainda não respondeu oficialmente à sigla. No entanto, já informou ao presidente que vai permanecer no posto.

"Felizmente nossas regras de disciplina são claras e foram editadas para todos, indistintamente. O enfrentamento foi decidido por ele e está aceito", afirmou Siqueira. Procurado pelo Broadcast Político por telefone e por mensagem, o ministro não se pronunciou.

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