Para Randolfe, eleição indireta é caminho mais provável, mas iria rachar oposição

Julia Lindner

Brasília

  • Jonas Pereira/Agência Senado

    30.ago.2016 - O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) durante discurso em plenário

    30.ago.2016 - O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) durante discurso em plenário

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) considera que uma eventual eleição indireta para a presidência da República iria rachar a oposição. Apesar de defender novas eleições diretas, caso o presidente Michel Temer deixe o cargo, o parlamentar acha "pouco provável" que haja tempo hábil para aprovar uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) sobre o tema no Congresso. A solução, diz, seria seguir o que determina a Constituição.

"Vamos avaliar (possíveis candidatos). Em caso de eleição indireta, a oposição se dividirá. A nossa percepção não deverá ser a mesma do PT, por exemplo", declarou Randolfe. Ele apoia a ideia do senador Cristovam Buarque (PPS-DF) de que nenhum integrante do Congresso deveria se candidatar à eleição indireta, já que os próprios parlamentares seriam responsáveis por eleger o presidente "tampão".

Como possíveis nomes para uma eventual eleição no Congresso, Randolfe citou juristas como os ex-ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Ayres Britto e Joaquim Barbosa. "Não querendo ser apolítico, mas o ideal seria alguém com perfil técnico que construísse um consenso nacional até 2018."

Randolfe voltou a cobrar que o presidente Temer renuncie ao cargo. Na semana passada, o senador protocolou um pedido de impeachment contra o peemedebista na Câmara. "A saída do presidente pouparia o Brasil e sua incipiente democracia. Temer está desestabilizando a economia e a política pelo capricho de manter a prerrogativa do foro privilegiado", avaliou. O parlamentar afirmou ainda que Temer "passou de todos os limites" e está "debochando" da nação.

Ele também disse que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), precisa se posicionar sobre os oito pedidos de impeachment de Temer apresentados à Casa. "Maia tem que responder ao Brasil. O presidente da República é pego com a boca na botija, envolvido nos crimes mais graves que um presidente já se envolveu no País, e o presidente da Câmara não se manifesta? Maia tem que decidir se vai ser leal a um governo moribundo ou ao povo brasileiro", criticou Randolfe.

Na pauta do Senado desta terça-feira, 23, está a PEC que extingue o foro privilegiado para autoridades, relatada por Randolfe. Em plenário, ele pediu hoje que os parlamentares aprovem o texto como forma de dar uma boa resposta à sociedade, mas já admite que o projeto não deve ser apreciado por falta de quórum. "Esta é a única matéria possível a ser analisada", disse, defendendo a obstrução para todas as outras matérias em tramitação na Casa.

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