Após ter decretado fim da Cracolândia, secretária de Doria diz 'não desistir'

Fábio Leite

São Paulo

Cinco anos depois, Eloisa Arruda volta a ocupar um cargo de secretária, agora na Prefeitura da capital, para tentar resolver justamente um velho problema que, na prática, nunca deixou de existir nesse período: a Cracolândia. Ela foi empossada nesta quarta-feira, 31, secretária de Direitos Humanos pelo prefeito João Doria (PSDB), na vaga da vereadora tucana Patricia Bezerra, que pediu demissão após a última operação policial, há dez dias, que prendeu traficantes e dispersou dependentes químicos.

"Fiz essa afirmação (em 2012) dentro de um contexto onde nós afirmavámos que não iríamos desistir dos dependentes químicos, onde nós afirmávamos que deixar as pessoas ao léu, submetidas a todo o tipo de abordagem por meio dos traficantes, às questões de conformidade em relação à dependência química, não íamos desistir", explicou Eloisa nesta quarta-feira. "Talvez isso viesse dentro do meu coração, como gestora pública, expressando um desejo muito sincero de que a Cracolândia não existisse mais", completou.

Com carreira no Ministério Público desde 1980, Eloisa foi secretária de Justiça do governo Alckmin entre 2011 e 2014 e se aposentou neste ano como procuradora de Justiça. Ela assume a pasta de Direitos Humanos dizendo que a "não vai desistir dos dependentes químicos", mas destacando que a Cracolândia é apenas um dos seus desafios. Mencionou também moradores de rua, crianças, adolescentes, idosos, homossexuais e migrantes.

Ela disse que apoia o pedido da gestão Doria à Justiça para poder realizar busca e apreensão de usuários de drogas para atendimento médico, cuja ação foi extinta pelo Tribunal de Justiça nesta semana - a Prefeitura já afirmou que vai recorrer. "Não consigo enxergar situação mais violadora dos direitos humanos do que a agressão feita contra os dependentes químicos pelos traficantes", disse. "Vamos trabalhar para acolher essas pessoas, que vivem em uma condição de indignidade humana".

O prefeito João Doria, que tem evitado responder perguntas de jornalistas sobre a Cracolândia, declarou novamente que "não tem recuo" nas ações do projeto Redenção, lançado por ele há dez dias para enfrentar o problema das drogas na cidade. "Não tem retrocesso e não mudaremos nossa posição", disse o tucano, que negou novamente a intenção de fazer internação compulsória de dependentes em massa, como acusou o Ministério Público na semana passada.

Doria também agradeceu o trabalho da ex-secretária de Direitos Humanos Patricia Bezerra, que pediu demissão na semana passada por discordar da ação policial na Cracolândia. "Nenhuma condenação a ela. A Patricia Bezerra é uma pessoa de bem mas que tinha posições contrárias às ações que a Prefeitura vem adotando'. Patricia reassumiu mandato de vereadora pelo PSDB.

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