Ministro defende o fim da prorrogação de campanhas de vacinação

Lígia Formenti

Brasília

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, defendeu nesta terça-feira, 6, o fim da prorrogação de campanhas de vacinação. A proposta deverá ser apresentada na próxima reunião com representantes de secretários estaduais e municipais de Saúde, ainda neste mês. A princípio, valeria para vacinas contra gripe e contra HPV.

"É uma decisão inteligente, adequada. Vai fazer com que o público alvo se apresse a adquirir o direito privilegiado em relação aos demais cidadãos", disse o ministro.

Barros afirmou que a sucessiva prorrogação do prazo de campanhas leva a uma perda de vacinas. De acordo com ele, "milhões" de doses já foram perdidas ao longo dos anos em virtude da baixa adesão.

Nos últimos dois meses, o ministério vem demonstrando a preocupação com a redução da procura da população por vacinas ofertadas pelo programa nacional de imunização.

Na sexta-feira, 2, o ministério autorizou Estados e municípios a liberar a vacinação contra gripe para a população em geral, antes mesmo de o prazo da prorrogação da vacina terminar - o que ocorreria nesta sexta-feira, 9. Na data, havia 10 milhões de doses nos estoques.

A decisão irritou secretários estaduais e municipais de Saúde. Eles se queixam de que a mudança não poderia ter sido feita sem que eles fossem previamente consultados. Mais ainda, que era necessário esperar até sexta, a conclusão da prorrogação, para que qualquer alteração fosse anunciada. Justamente por isso, 12 Estados decidiram não atender a recomendação do ministério, entre eles São Paulo e Paraná.

"A liberação da vacinação da gripe para população em geral foi uma decisão precipitada", resumiu o presidente do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde, Mauro Junqueira.

Ao Estado, ele afirmou que uma reunião deverá ser feita com o ministério justamente para discutir o fato de os secretários não terem sido consultados.

O ministro, no entanto, avaliou que a decisão "foi um sucesso". "Vários Estados seguiram a orientação", disse.

Como a reportagem mostrou nesta segunda-feira, 5, há ainda críticas do Conselho de Secretários Estaduais de Saúde e de especialistas. A liberação da vacina para a população em geral, sustentam, não resolve a baixa cobertura entre a população de maior risco para complicações da gripe.

"A medida pode reduzir os estoques, mas não o número de mortes provocadas pela doença entre grupos mais vulneráveis", disse o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Cláudio Maierovitch.

Para ele, a baixa cobertura vacinal deveria provocar uma reavaliação do sistema de saúde, em busca da identificação de falhas. "Os indicadores mostram uma falha na estratégia para se alcançar a população. É isso que tem de ser resolvido, não liberar a vacinação."

A liberação da vacinação contra HPV é outra estratégia que poderá ser alvo de críticas. O ministro não descartou a possibilidade de que a estratégia seja adotada caso haja imunizantes próximos de vencimento.

A vacina, no entanto, tem indicações precisas. Ela não deve ser usada, por exemplo, para pessoas que já têm o vírus. Justamente por isso ela é recomendada para uma faixa etária mais jovem.

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