'Quem disse que eu sou contra?', diz Alckmin sobre desembarque do governo Temer

Daniel Weterman

  • Moacyr Lopes Junior/Folhapress

Após barrar um posicionamento do PSDB paulista que poderia pressionar a legenda tucana pelo desembarque do governo Michel Temer (PMDB), o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), negou que defenda a permanência do partido no governo federal.

Em entrevista a jornalistas após participar de um congresso tecnológico da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), na capital paulista, Alckmin afirmou que defende que o PSDB tenha uma decisão única nacionalmente e que priorize as reformas, não necessariamente a permanência no governo federal com cargos. Ele reforçou a defesa de que é preciso aguardar o julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que começa nesta terça-feira, 6, para uma decisão definitiva dos tucanos.

"Quem disse que eu sou contra o desembarque? Não. Se você pegar minhas declarações, lá atrás, eu até dizia que o partido deveria apoiar o governo, as medidas de interesse do País, sem necessariamente participar com ministro no governo", afirmou o governador.

A declaração foi dada no momento em que Alckmin respondia sobre o posicionamento das chamadas "cabeças pretas", ala jovem do PSDB que defendem desembarque imediato do governo. "No que a minha posição é diferente?", questionou o governador, afirmando que não está defendendo a permanência do partido no governo de Temer.

Alckmin disse que é preciso agir com responsabilidade e que, ao estimular ontem a direção estadual do partido a não tomasse uma decisão neste momento, defendeu a escuta de todos para que o PSDB tome uma única decisão nacionalmente.

"Nós devemos preservar o Brasil, proteger o País, não agir de forma açodada", disse. "Qualquer que seja a decisão, o compromisso é com as medidas econômicas, com a retomada do emprego e do crescimento da economia. Ter ministro ou não ter ministro é secundário". Em outro momento, Alckmin citou que é importante "apoiar as medidas do governo, aquilo que é interesse do País".

Alckmin citou o início do julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE e reforçou a defesa em aguardar a decisão do judiciário para que o PSDB tome uma decisão definitiva. Ele afirmou que espera que a decisão do julgamento possa ser "resolvida nos próximos dias".

Questionado sobre a possibilidade de pedido de vistas por um dos ministros do TSE e um arrastamento da decisão pelos recursos disponíveis à defesa de Temer e de Dilma Rousseff (PT) na corte eleitoral e no Supremo Tribunal Federal (STF), Alckmin negou que o PSDB aguardará muito tempo para tomar uma decisão. "Não, não vai. Nos próximos dias, vamos nos reunir em Brasília."

Alckmin afirmou que é preciso garantir a aprovação das reformas para manter a expectativa de crescimento econômico. Ele citou que é possível chegar ao fim do ano com o Brasil crescendo "quase 3%" e ter um ano melhor em 2018.

Turbulências

Em seu discurso no evento, o governador afirmou que turbulências políticas do país tendem a passar e fortalecer as instituições. "Essas turbulências políticas passam, elas até consolidam nossas instituições", disse. Durante sua fala, o tucano destacou que as reformas trabalhista e da Previdência são "exatamente importantes".

Alckmin e o prefeito João Doria, durante o evento, fizeram uma dobradinha para criticar o "populismo" diante da crise política e econômica. "Estou convencido que o Brasil não quer populismo, quer eficiência, geração de emprego e renda", afirmou Alckmin.

O governador repetiu o interesse em criar uma holding de saneamento básico que será integrada pela Sabesp e outras empresas subsidiárias, o que deve avançar no segundo semestre.

Como será julgamento de Dilma e Temer no TSE?

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