Câncer de próstata: teste de sangue pode ajudar a prever eficácia de tratamento

Fábio de Castro

São Paulo

Um teste de sangue inovador poderá ajudar a prever se tratamentos homens com câncer de próstata em estágio avançado responderão aos novos tratamentos contra a doença, de acordo com um estudo realizado por cientistas britânicos. O novo método ainda está sendo estudado, mas os resultados preliminares são animadores, segundo autores do estudo.

Os cientistas, liderados por Gerhardt Attard, do Instituto de Pesquisa do Câncer (Reino Unido), conseguiram detectar o DNA de células cancerosas no sangue de homens e localizar algumas delas com várias cópias de um gene importante para o crescimento de diversos tumores de próstata.

Os homens com várias cópias desse gene - conhecido como gene do receptor androgênico - tiveram maior resistência ao tratamento com abiraterona e enzalutamida - que atualmente são as drogas utilizadas no tratamento padrão para o câncer de próstata avançado.

De acordo com Attard, utilizando o teste de sangue, esses homens poderiam evitar tratamentos que provavelmente não funcionariam para eles e os médicos poderiam oferecer outras alternativas.

"A abiraterona e a enzalutamida são excelentes tratamentos para o câncer de próstata avançado e alguns homens podem tomar essas drogas por anos sem que o câncer volte a surgir. Mas, para outros homens, essas drogas não funcionam bem e a doença volta rapidamente. Atualmente não há nenhum teste aprovado para ajudar os médicos a escolherem os melhores tratamentos para cada indivíduo", afirmou Attard.

Segundo ele, o teste terá que ser avaliado em ensaios clínicos, mas, caso seja aprovado, custará menos de £ 50 (cerca de R$ 210) e poderá ser usado em consultórios médicos para personalizar os tratamentos.

Desenvolvemos um teste robusto que poderá ser usado na clínica para decidir quais homens com câncer avançado de próstata têm mais probabilidade de responder ao tratamento com abiraterona e enzalutamida e quais precisarão de tratamentos alternativos", disse Attard.

O estudo, que também teve participação de cientistas do Royal Marsden NHS Foundation Trust, também no Reino Unido, foi publicado no início de maio na revista científica Annals of Oncology.

Como foi o estudo. Os pesquisadores analisaram as amostras de sangue de 265 homens com câncer de próstata avançado antes e depois do tratamento com abiraterona e enzalutamida. O estudo incluiu pacientes que nunca receberam quimioterapia e outros que já haviam recebido esse tipo de tratamento.

No teste preliminar com 171 pacientes, os homens cujo teste detectou múltiplas cópias do gene de recepetor androgênico tiveram uma probabilidade quatro vezes maior de morrer durante o estudo, em comparação aos demais pacientes.

Os resultados foram então confirmados em um segundo grupo de 94 pacientes, no qual os homens com múltiplas cópias do gene tiveram uma resposta oito vezes menos eficiente ao tratamento, em comparação aos homens que possuíam apenas uma ou duas cópias do gene.

O receptor androgênico é conhecido por seu papel importante no processo que leva o câncer de próstata a se tornar resistente aos tratamentos com abiraterona e enzalutamida. Esses tratamentos são utilizados em homens cujo câncer é resistente à tradicional terapia de bloqueio hormonal e que já se espalhou pelo corpo.

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