Médica que negou atendimento a bebê é acusada de negligência com idoso

Lucas Gayoso, Especial para O Estado

Rio

A médica Haydee Marques da Silva, de 59 anos, é acusada de ter sido negligente no atendimento de mais um paciente além de Breno Rodrigues da Silva, de 1 ano e seis meses. Vanessa Pinheiro Martins, de 33 anos, contou que chamou a empresa Cuidar para transportar seu pai para o hospital para que ele passasse por um procedimento simples, uma lavagem estomacal. No entanto, o seu estado de saúde se agravou após ter ficado 10 minutos sem oxigênio, por decisão de Haydee. Vanessa esteve na 16ª Delegacia de Polícia (Barra da Tijuca) na tarde desta sexta-feira, 9, para denunciar o caso.

Leonel Martins, de 62 anos, sofria de esclerose amiotrófica e respirava com auxílio de aparelhos. "Quando a médica chegou ao apartamento, ela se assustou dizendo que ninguém falou que se tratava de um paciente com ventilação mecânica. Disse que estava com pressa porque tinha que almoçar. Ela queria levá-lo sem o tubo de oxigênio. Quando eu questionei, ela garantiu que o tempo era curto e não precisaria do aparelho", disse Vanessa.

Enquanto Martins era encaminhado para a ambulância, a filha percebeu que ele não passava bem. No entanto, mesmo assim Haydee não quis deixar o paciente receber cuidados, contou Vanessa. "Antes de ele ser levado, vi que estava sem cor e a enfermeira que cuidava dele trouxe o oxigênio correndo. Mas a médica não queria deixar ela entrar na ambulância. Tivemos que discutir muito até a minha mãe conseguir entrar com ela quase na marra."

Martins acabou internado e morreu um mês mais tarde, ao contrair uma infecção hospitalar. "O que era para ter sido um atendimento de rotina virou um problema grave e meu pai acabou falecendo. Tudo o que eu quero é que essa mulher pague", disse Vanessa. O caso ocorreu no ano passado.

De acordo com a delegada Isabelle Conti, assistente da 16° Delegacia se Polícia, a médica se recusou a atender um paciente que requisitou tomografia em 2011. "A paciente se exaltou e a médica, indignada, chegou a arranhar a vítima. Isso foi em uma unidade de saúde no bairro de Todos os Santos, na Zona Norte do Rio. O caso foi para o Ministério Público e foi oferecido a ela uma transação penal, ou seja, uma pena alternativa. No entanto, ela não cumpriu as medidas impostas pela transação penal. O processo prescreveu pelo tempo decorrido", contou.

Haydee não foi localizada nesta sexta-feira. A polícia realizou buscas na casa dela e da mãe dela, sem sucesso. A médica foi intimada e a polícia espera que preste depoimento na segunda-feira, 12.

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