Napoleão se defende de citação a seu nome em reportagem de jornal

Isadora Peron, Eduardo Rodrigues e Thiago Rodrigues

Brasília

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, suspendeu sessão desta sexta-feira, 9, de julgamento da chapa Dilma-Temer após o ministro Napoleão Maia Nunes se exaltar para se defender de citação a seu nome em reportagem de jornal publicada nesta sexta antes de dar início à leitura de seu voto.

Segundo o jornal Valor Econômico, sócios e executivos do grupo OAS mencionaram seu nome aos investigadores entre aqueles que poderiam favorecer interesses da empresa no Judiciário. Eles relatam, segundo o jornal, reunião realizada em Brasília para falar das prisões preventivas dos executivos.

Ele afirmou que nunca participou de nenhuma reunião com ninguém da empreiteira e pediu para o seu gabinete fazer um levantamento e que encontrou sete decisões contra a OAS.

O ministro rebateu também a informação publicada pelo jornal "O Estado de S. Paulo" de que o empresário da JBS Francisco de Assis e Silva disse que ele teria intercedido em favor da JBS em ação contra Joesley Batista e contra a Eldorado Celulose, empresa da holding J&F. O caso foi mencionado no âmbito da Operação Greenfield. Segundo o ministro, "essa é uma mentira deslavada".

Ao relatar que foi questionado sobre citações a seu nome por delatores, Napoleão disse que precisou se explicar em sua igreja e, para isso, citou um provérbio islâmico: "Com a medida que medem serão medidos, e sobre eles que caia a ira do profeta."

E, para ilustrar o que seria a ira do profeta, fez um gesto com a mão de um pescoço sendo cortado.

Sem citar o Ministério Público, responsável pelos acordos de delação, Napoleão fez uma crítica aos vazamentos dos acordos. "Se isso não terminar, o final não será bom, pessoas publicam o que querem", disse.

O desabafo foi apoiado pelo presidente do TSE, que chegou a dar um abraço no colega e disse que sabe de onde esses vazamentos vêm. "Isso precisa ser encerrado", disse.

Envelope

O ministro também afirmou que o envelope que o seu filho carregava mais cedo, quando causou tumulto ao tentar entrar no plenário do TSE, continha fotos da sua neta.

O filho de Napoleão foi impedido de entrar no plenário porque não estava usando terno e gravata, traje obrigatório durante as sessões. Segundo o ministro, um site chegou a insinuar que o seu filho se tratava de "um homem misterioso com envelope" .

"Passei por indignação e desejo que a pessoa (o jornalista que escreveu a matéria) sofra em si o que me fez passar", disse.

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