'Crise não será mais forte do que nós', diz almirante

Tânia Monteiro

Brasília

Ao lado do presidente Michel Temer, o comandante da Marinha, almirante Eduardo Bacelar Leal Ferreira disse ontem que "por mais grave" que a crise se apresente, ela "não será mais forte do que nós". A fala do almirante foi durante as comemorações do Dia da Batalha Naval do Riachuelo, em Brasília.

Ao mesmo que em que ocorriam as comemorações no Grupamento de Fuzileiros Navais, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reiniciava a sessão de julgamento da ação contra a chapa Dilma-Temer - que acabou absolvendo os dois e mantendo o mandato do presidente.

No seu discurso, o almirante afirmou que "vivemos tempos difíceis e incertos", mas pediu aos militares que mantenham "hierarquia e disciplina". Ferreira disse ainda que a Marinha junto com Exército e Aeronáutica "cumprirão rigorosamente os deveres constitucionais".

O almirante fez também uma comparação entre a vitória do almirante Barroso na batalha de Riachuelo, durante a Guerra do Paraguai, com as "condições adversas" enfrentadas hoje no País. Segundo disse, é preciso "enfrentar as dificuldades do presente com coragem".

Mais tarde, questionado pelo Estado sobre esse paralelo, o almirante declarou que não opinaria sobre a crise política de hoje, pois "não lhe compete".

Ao abordar as dificuldades vividas no Brasil, Ferreira aproveitou para fazer um apelo para que sejam mantidos os recursos da Marinha. Segundo ele, para que possam continuar defendendo o País, "a despeito dos problemas internos".

Base aliada. Em entrevista, ao final da cerimônia, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse que o PSDB vai continuar com o governo. Questionado sobre o futuro de Temer, ameaçado também pelo possível desembarque dos tucanos, Jungmann disse que o ministro da Secretaria de Governo, Antônio Imbassahy, lhe "confidenciou" que isso não acontecerá.

"Ele (Antônio Imbassahy) disse que teve numerosas conversas e que a tendência do partido é continuar na base do governo", declarou. A permanência do PSDB na base do governo será discutida em reunião do Diretório Nacional do partido, na próxima segunda-feira.

Sobre a ação que o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, ameaça apresentar na semana que vem, Jungmann respondeu que "há independência dos poderes", mas ressalvou que é preciso que haja "respeito ao devido processo legal, aos processos, à instância, à figura do presidente da República e, sobretudo, à Constituição".

O ministro não quis responder, no entanto, se achava que havia perseguição de Janot a Temer. "Não acho nada", observou. Indagado se considerava que o presidente Temer teria força para seguir governando, o ministro respondeu que Temer tem mantido a governabilidade. "Eu sempre tive visão de que este governo, pela forma como se deu, seria um governo difícil, não seria um governo fácil. Nunca me iludi a este respeito. E essas dificuldades, vocês todos sabem, não adianta nos iludir, têm se intensificado. Mas, no meu modo de entender, o governo continua e tem tido até aqui a capacidade de se manter governando e tem mantido a governabilidade, e isso é o que importa para o Brasil."

O ministro da Defesa voltou a repetir a mensagem de respeito à Constituição. "Dentro da Constituição, tudo, fora da Constituição, nada", reiterou ele. "As Forças Armadas têm missão de Estado e constitucional, por isso não nos cabe entrar neste tipo de debate (político)", emendou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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