Mãe acorrenta em casa filha viciada em crack

José Maria Tomazela

Sorocaba

Desesperada com as ameaças recebidas de traficantes, uma mulher de 43 anos decidiu manter a filha de 17 anos, dependente química, acorrentada a um guarda-roupas, em Sorocaba, interior de São Paulo. A mãe foi detida e a garota, libertada, na noite de terça-feira, 13, por integrantes da Guarda Civil Municipal (GCM) e do Conselho Tutelar.

De acordo com o comandante da GCM, Antonio Marco Mariano de Carvalho, a adolescente era usuária de cocaína e crack desde os 12 anos. Conforme o relato da mãe, ela devia dinheiro para vários traficantes e estava sendo ameaçada de morte. "Ela alegou que decidiu acorrentá-la por razões de segurança e por total desespero, por não ver outra saída", disse o agente.

A equipe da GCM e do Conselho Tutelar se dirigiu à residência, uma casa simples no bairro Nova Esperança, zona norte da cidade, após receber denúncia anônima. Dominada por traficantes, a região é uma das mais violentas do município.

A adolescente foi encontrada no quarto, com a corrente atada aos pés, o cadeado trancado e presa ao pé do móvel. Para libertar a adolescente, a GCM teve de quebrar o cadeado, pois a chave não foi encontrada. A jovem foi levada à Unidade de Pronto Atendimento da zona norte, onde recebeu atendimento médico, e encaminhada para um abrigo da prefeitura.

"A mãe ficou surpresa com a nossa chegada, mas permitiu a entrada e em nenhum momento escondeu a situação. Ela se disse aliviada por estarmos encaminhando a filha para atendimento médico e social. É como se tivéssemos tirado um peso dos ombros dela", disse Carvalho.

A mãe, que é auxiliar de cozinha e cria a filha sozinha, contou que tomara a medida havia cerca de 40 dias, porque a jovem saía de casa apenas para se drogar. Disse que precisava trabalhar e ela ficava sozinha.

Maus-tratos

A adolescente estava magra e desnutrida. Segundo a mãe, não aceitava comida e dizia que só se alimentaria após usar droga. A mulher foi levada para o plantão da Polícia Civil e indiciada em inquérito por maus-tratos. Como não há previsão de prisão em flagrante para o crime, ela vai responder em liberdade. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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