Em vídeo, Temer diz que criminosos serão responsabilizados por seus ilícitos

Carla Araújo e Tânia Monteiro

Brasília

Como resposta à nova onda de ataques desferidos pelo empresário Joesley Batista, o presidente Michel Temer gravou um vídeo no fim de semana no qual afirmou que os criminosos não ficarão impunes. Sem citar o nome do dono da JBS, Temer disse que seu governo acabou com "os favores que privilegiavam apenas algumas poucas empresas" e que sabe que a medida contrariou interesses. "Cortamos as práticas que permitiam a criminosos crescer à sombra dos ilícitos e do dinheiro público jorrado sem limite e com juros camaradas. E muita gente não gostou disso", disse. "Já está claro o roteiro que criaram para justificar seus crimes: apontam o dedo para outros tentando fugir da punição. Aviso aos criminosos que não sairão impunes. Pagarão o que devem e serão responsabilizados pelos seus ilícitos", afirmou o presidente.

O vídeo, gravado no fim de semana, teve trechos divulgados nas redes sociais do presidente e foi publicado na tarde desta segunda-feira, 19, na íntegra. Em sua fala, apesar das críticas indiretas a Joesley, Temer afirma que não pratica retaliações. "Por tradição e formação, acredito na Justiça. Sempre respeitei a independência dos poderes. É assim que continuarei agindo", disse.

Temer finalizou na manhã desta segunda-feira as duas ações contra o dono da JBS e pouco antes de seguir para a Base Aérea deu entrada nos dois processos na Justiça. Uma das ações será por danos morais, onde pedirá indenização financeira, e a segunda será uma queixa crime, por difamação, calúnia e injúria, crimes contra a honra. O presidente decidiu acionar o advogado do PMDB, Renato Oliveira Ramos, para representar contra o empresário. A ação criminal foi impetrada na Justiça Federal e a cível, na Justiça comum.

Por outro lado, enquanto o governo está à espera de uma denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução de Justiça, Temer destacou em sua mensagem que as instituições "brasileiras são fortes, fortíssimas, conquista de todos nós". "Fortes porque se sustentam na harmonia e na independência dos poderes, tal como foi inscrito na constituição de 1988. E preciso mantê-las para que se realize um desejo de todos: um Brasil pacificado, justo e prospero", afirmou.

Temer disse ainda que o Brasil está mais forte "na economia e na gestão" e destacou que seu governo teve "a coragem de propor reformas necessárias e nunca alcançadas". "O Congresso tem sido parceiro fundamental para essas vitórias. Cito apenas as três mais importantes: a trabalhista, a previdenciária e a reforma política", disse.

O presidente reforçou que as reformas que combatem privilégios e regalias e que buscam modernizar o país. "Muito ainda está por ser feito. Vamos agir. Vamos resistir. Vamos trabalhar. Vamos nos reencontrar com a alegria e a felicidade naturais do povo brasileiro. A hora é essa. É agora. É hora de continuar a reconstruir o país e, por isso, não podemos parar um segundo", afirmou.

Investimentos

O vídeo, que começa com a fala de Temer destacando a sua viagem à Rússia, diz ainda que ele irá ao exterior buscar investimentos. "Hoje, inicio viagem oficial à Rússia, onde investidores acreditam na economia brasileira, na capacidade criativa de nosso povo para gerar empregos e renda. Essa crença persiste mesmo quando muitos brasileiros estão preocupados com o Brasil. Vamos enfrentar e superar as dificuldades que estamos passando. Uma realidade que já começou a mudar e que continuará mudando", disse.

Temer ressalta ainda que crê num grande destino para o Brasil e que para torná-lo real, "não podemos parar de trabalhar". "Da Rússia, seguirei para a Noruega, com os mesmos propósitos: criar emprego e renda para o trabalhador brasileiro", afirmou.

Em sua mensagem, Temer afirmou que é missão do presidente da República abrir novos mercados e oportunidades para os brasileiros. "É minha obrigação criar as condições ideais para o desenvolvimento da economia e para as empresas evoluírem e crescerem em escala internacional. E, permitam-me dizer, tenho cumprido com as minhas obrigações", disse, destacando que seu governo trouxe a inflação para abaixo do centro da meta "depois de muitos anos de tolerância com a carestia". "Os juros caíram. Apoiamos e incentivamos as políticas sociais", afirmou.

O presidente citou anda a liberação das contas inativas do Fundo de Garantia e disse que o governo está combatendo fraudes e desvios no INSS, em ação que vai gerar redução de quase R$ 10 bilhões nos gastos do setor público". "Atraímos empresas internacionais renomadas para gerir nossos aeroportos, em condições justas, realistas e que preservaram o interesse nacional. Efetivamente, estamos colocando o Brasil nos trilhos", disse.

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