Ex-assessor de Temer, Rocha Loures deixa a prisão

André Borges, Rafael Moraes Moura e André Dusek

Brasília

O ex-assessor do presidente Michel Temer e ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) chegou por volta das 16 horas de ontem a sua residência no Lago Sul, área nobre de Brasília, em um carro da Polícia Federal. Por decisão tomada anteontem pelo ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ele foi posto em liberdade. Loures será monitorado por tornozeleira eletrônica.

Depois de deixar a Superintendência da PF em Brasília às 10h15 de ontem, Loures foi levado para Goiânia, onde colocou o equipamento. A tornozeleira, que não estava disponível na capital federal, visa a garantir o cumprimento da decisão de Fachin, que mandou soltar o peemedebista, mas impôs medidas cautelares.

Loures foi filmado após receber de um executivo do Grupo J&F - controlador da JBS -, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, uma mala com R$ 500 mil, em São Paulo. Segundo Joesley, Loures foi indicado pelo presidente Temer para intermediar interesses do grupo junto ao governo federal. O ex-assessor e ex-deputado estava preso desde o dia 3 de junho.

Anteontem, o ministro Fachin encaminhou ao diretor-geral da PF, Leandro Daiello, o alvará de soltura de Loures, "a ser cumprido com as cautelas de lei e com observância das medidas determinadas".

O ex-deputado mora em um pequeno condomínio de luxo, com quatro casas. Ele terá de ficar em recolhimento domiciliar noturno (das 20 às 6 horas) e aos sábados, domingos e feriados, está proibido de deixar o País - tem de entregar seu passaporte à PF em 48 horas - e não pode manter contato com investigados, réus ou testemunhas do caso JBS.

Os agentes federais deixaram o local logo após Loures entrar em sua casa. O peemedebista não falou com a imprensa.

Julgamento. Fachin levará, em agosto, para julgamento na Segunda Turma do STF um recurso contra sua decisão que determinou o envio ao Tribunal Regional Federal da 3.ª Região os autos das investigações relativas ao procurador da República Ângelo Goulart Vilella e ao advogado Willer Tomaz de Souza, ambos presos no âmbito da Operação Patmos. Os dois pedem a revogação da prisão. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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