'Não fui a um spa, fui a uma clínica médica', diz Pezão

Idiana Tomazelli e Tânia Monteiro

Brasília

O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), fez nesta quinta-feira, 20, em Brasília, um desabafo endereçado aos críticos que o acusaram de ir a um "spa" em meio à crise financeira do governo do Estado, que impede o pagamento em dia de salários de funcionários públicos estaduais. "Eu não fui para um spa. Eu me internei numa clínica médica. Eu precisava de tratamento", disse.

"Se eu não me cuidasse, meu médico falou que eu ia morrer." Pezão, por vezes, embargou a voz ao lembrar do câncer que enfrentou em 2016 e da decisão de contrariar os médicos para voltar ao trabalho antes do previsto. "Saí do tratamento em outubro, contrariando meus médicos. Todos eles tinham pedido que eu aguardasse até fevereiro, março, e eu não aceitei os conselhos. Eu perdi toda minha musculatura do corpo. Eu não tinha força para levantar de uma cadeira; eu levanto apoiando", disse.

Ele recordou ainda que passou 19 semanas de 2017 na capital federal para tentar conquistar o apoio dos parlamentares para a lei que criou o Regime de Recuperação Fiscal (RRF) de governos estaduais. É no âmbito dessa legislação que o governo do Rio agora negocia um socorro financeiro com a União, com a suspensão de dívidas e dinheiro novo por meio da venda da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae).

Pezão até mesmo disse que tem cobrado do presidente Michel Temer celeridade nas negociações. A ida do governador do Rio ao spa Rituaali, em Penedo, no sul do Estado, despertou a ira de funcionários públicos estaduais que estão sem receber as remunerações regularmente.

O Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais do Rio de Janeiro (Muspe-RJ) criticou a escolha e disse que, em meio à "crescente falta de segurança, falência da saúde pública e atraso de salários, Pezão mostra absoluta falta de bom senso, hospedando-se num ambiente de luxo e ostentação".

A permanência de um casal por uma semana neste local custa de R$ 14 mil a R$ 27 mil. Nesta quinta-feira, o governador afirmou que a estada foi paga com recursos próprios e ofereceu cópias do cheque usado para pagamento e da nota fiscal do serviço prestado pelo estabelecimento.

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