Violência no Rio ameaça desenvolvimento das crianças, alerta Unicef

Jamil Chade, correspondente

Genebra

  • Domingos Peixoto/Agência O Globo

    16.jul.2017 - Tiroteio no Complexo da Maré, na zona norte carioca, provoca fechamento do trânsito na altura na Linha Vermelha

    16.jul.2017 - Tiroteio no Complexo da Maré, na zona norte carioca, provoca fechamento do trânsito na altura na Linha Vermelha

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef, na sigla em inglês) alerta que a violência no Rio de Janeiro está ameaçando a capacidade de crianças da cidade desenvolverem seu potencial e afirma estar "preocupada" com a situação, principalmente em escolas.

"Crianças no Rio de Janeiro estão sob um grande risco de não serem capazes de desenvolver seu potencial completo", afirmou a entidade da Organização das Nações Unidas (ONU) que se ocupa da infância.

O alerta foi lançado depois que a Secretaria Municipal de Educação da cidade brasileira indicou que, de 105 dias do ano letivo, a rede funcionou sem interrupção por episódios violentos (tiroteio, toque de recolher, assalto, operação policial) em só oito. Além disso, 382 das 1.537 escolas - uma em cada quatro - tiveram de fechar ou interromper atividades pelos mesmos motivos.

Ao menos 129,5 mil alunos (um em cada cinco da rede) foram prejudicados por aulas suspensas nesses casos. Os colégios mais afetados ficam perto das favelas mais perigosas, como Acari (30 dias), Complexo da Maré (18 dias), Cidade de Deus (16 dias) e Complexo do Alemão (15 dias).

"A Unicef está preocupada com o impacto da violência no Rio de Janeiro nas crianças vivendo nos bairros afetados", disse a organização. "Estudos mostram que interrupções seguidas em ambientes violentos afetam negativamente a capacidade de uma criança de se concentrar e de aprender sem medo."

A Unicef cita o "impacto psicossocial devastador em crianças" do ambiente de violência. "Ter de buscar abrigo e por vezes testemunhando atos de violência também tem um impacto psicossocial devastador em crianças, com muitas delas sofrendo de síndromes de estresse, como pesadelos e ansiedade."

"Crescer em um ambiente com incidentes frequentes de violência armada pode levar as crianças a entenderem a violência como uma forma normal de resolver conflitos", disse.

De acordo com a entidade, seus representantes estão trabalhando com as autoridades de Educação e de Segurança Pública do Rio para tentar coordenar medidas e, assim, reduzir o impacto negativo nas crianças.

Para a Unicef, porém, a violência afeta o sistema de educação de outras partes do Brasil. Quase 10% dos adolescentes registrados no ensino público no Nordeste e no Sudeste foram vítimas do fechamento de escolas por causa da violência. No Sul, essa taxa foi de apenas 2%.

Em 2015, mais de 10 mil adolescentes no País entre 10 e 19 anos foram assassinados, um dos números mais elevados do mundo.

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