Moro nega a ex-gerente da Petrobras audiência reservada com advogados

Luiz Vassallo

São Paulo

  • André Dusek/Estadão Conteúdo

    Juiz federal argumentou que "denúncia foi apresentada no dia 12 de junho de 2017, há mais de um mês"

    Juiz federal argumentou que "denúncia foi apresentada no dia 12 de junho de 2017, há mais de um mês"

O juiz federal Sérgio Moro negou nesta quinta-feira, 20, ao ex-gerente da área Internacional da Petrobras Pedro Augusto Cortes Xavier - classificado por sua defesa como homem 'sério e honrado' e acusado de receber propinas de R$ 4,8 milhões no âmbito da Lava Jato -, o pedido para ter uma audiência reservada com seus advogados uma hora antes de seu depoimento, marcado para a próxima segunda-feira, 24.

Bastos é acusado de receber propinas na conta da offshore Sandfield, na Suíça, da qual supostamente era beneficiário e, em contrapartida, teria se utilizado de seu cargo para dar amparo técnico a um negócio envolvendo a venda de um campo seco de petróleo em Benin, na África, da empresa Companie Beninoise des Hydrocarbures Sarl (CBH) para a Petrobras, em 2011.

Ele foi preso na Operação Poço Seco, 41ª fase da Lava Jato, deflagrada em maio. O ex-gerente da estatal está detido no Complexo Médico de Pinhal, nos arredores de Curitiba, base da Lava Jato.

Os advogados de defesa peticionaram a Moro por uma audiência uma hora antes de seu depoimento, alegando 'acesso restrito ao seu cliente'.

"O requerente encontra-se acautelado no Complexo Médico de Pinhal, e desde o início da semana o Complexo está em obras para ampliação do parlatório, o que vem limitando o acesso dos acautelados com seus advogados, limitado em apenas 30 minutos por determinação do Diretor".

Ao indeferir o requerimento, o juiz da Lava Jato argumentou que Pedro Augusto Cortes Xavier Bastos está preso preventivamente desde 26 de maio de 2017 e que 'a denúncia foi apresentada no dia 12 de junho de 2017, há mais de um mês'. "Em princípio, portanto, já houve tempo suficiente para a Defesa discutir o conteúdo da imputação com o acusado".

"Por outro lado, não há como garantir que a escolta, com recursos humanos escassos e sujeita a logísticas, consiga trazer o acusado uma hora antes da audiência a fim de viabilizar encontro prévio entre acusado e defensores", argumentou o juiz.

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