Vídeo mostra execução de rivais do PCC na fronteira com o Paraguai

José Maria Tomazela

Sorocaba

  • Reprodução

Um vídeo divulgado em redes sociais mostra dois supostos integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) executando dois rivais, na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, na fronteira com o Brasil. Um dos executores fala português e manda um recado para as facções rivais: "Se vier para a fronteira, o bicho vai pegar. Aqui quem manda é o PCC". O segundo homem se expressa em guarani, o que, para a polícia local, mostra que a facção brasileira já cooptou traficantes naquele país.

As imagens mostram os dois executores encapuzados e portando metralhadoras no cômodo de um imóvel, enquanto as vítimas estão sentadas em cadeiras e amarradas com as mãos para a frente. No vídeo, os executores fazem ameaças às facções rivais Comando Vermelho (CV), Família do Norte (FDN) e Primeiro Grupo Catarinense (PGC). A cidade paraguaia é separada da brasileira Ponta Porã (MS) por uma avenida.

A execução teria acontecido na noite de quinta-feira, 20. Os dois corpos foram encontrados carbonizados, na manhã seguinte, em Capitan Bado. Num segundo vídeo, os homens aparecem pisando nos restos carbonizados das vítimas. Um deles ironiza o fato de que um dos corpos não queimou totalmente. O outro diz que se outros "PGC" entrarem no Paraguai também vão "virar churrasco".

As imagens foram divulgadas pelo jornal paraguaio Capitan Bado. A Polícia Nacional do Paraguai em Pedro Juan Caballero confirmou as execuções e informou que até este domingo as duas vítimas não tinham sido identificadas. De acordo com o oficial de plantão, as mortes fazem parte da guerra travada pelas facções na disputa pelo tráfico na região, que vem sendo fortemente combatida pela polícia nacional.

O PCC passou a controlar o tráfico de drogas e armas na fronteira do Paraguai com o Brasil desde a execução do megatraficante Jorge Rafaat Toumani, conhecido como o "rei da fronteira", em junho de 2016. A morte de Rafaat foi atribuída ao brasileiro Jarvis Chimenes Pavão, numa ação estratégica que teria sido apoiada, na época, tanto pelo PCC, quanto pelo CV.

Pavão, que é considerado sucessor do traficante Fernandinho Beira-Mar na região, está preso em Assunção, no Paraguai, mas comandaria o tráfico de dentro do presídio. O PCC é acusado de ter comandado o assalto à empresa de valores Prosegur, em abril deste ano, na paraguaia Ciudad del Este, na fronteira com Foz do Iguaçu, no Paraná.

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