Doria quer serviço de assinatura na vigilância pública

Bruno Ribeiro, enviado especial*

HANGZHOU

O prefeito João Doria (PSDB) quer lançar uma Parceria Público-Privada (PPP) para o sistema de vigilância pública de São Paulo, o City Câmeras. Além dos equipamentos em locais públicos, o monitoramento de vias seria oferecido à população - donos de comércio, por exemplo - mediante uma assinatura do serviço. Os recursos custeariam a ampliação da malha de câmeras pela cidade.

O anúncio foi feito após visita de Doria a duas das maiores fabricantes de equipamentos de segurança do mundo. "O que vamos estudar é um formato de assinaturas. O interessado em ter câmeras na porta do comércio, por exemplo, faria a assinatura do serviço. Quanto mais massificar, menor seria o custo da assinatura", disse o prefeito, em Hangzhou, no sul da China, onde está em visita oficial.

O City Câmeras, programa anunciado em março, tem cerca de 1,4 mil câmeras, segundo Doria. Atualmente, o projeto é uma plataforma em que o setor privado (como proprietários de imóveis, comerciantes e fábricas) pode compartilhar as imagens de segurança de seus circuitos fechados com o poder público, que armazena as imagens por uma semana.

Além das câmeras particulares, a Prefeitura tinha meta de instalar 10 mil câmeras próprias para o sistema. Com a PPP, o número seria "bem maior", previu Doria, sem falar em estimativas. Todas as imagens, públicas e privadas, são compartilhadas com as Polícias Civil e Militar, que prometem usar as informações no sistema Detecta, do governo do Estado.

Com o serviço de assinaturas, no lugar de o ente privado pagar pela instalação e manutenção das câmeras a uma empresa terceirizada, ele assinaria o serviço. A empresa vencedora da PPP faria todo o serviço, com o compromisso de ampliar a rede de câmeras públicas, colocadas em locais definidos como os de maior interesse para os órgão de segurança, sejam pelos altos índices de crimes ou por necessidades sociais.

Processo

Doria visitou nesta terça duas empresas concorrentes: a Dahua e a Hikvision. Doria falou da PPP e pediu doações de câmaras para o sistema atual, ainda sem parceria estabelecida. Nas duas, deixou claro que a rival o ajudaria. O saldo foi deixar a cidade com a promessa de doação de mil câmeras e um drone (avaliado em US$ 100 mil), por parte da Dahua, e de um drone por parte da Hikvision - que ficou de estudar pedido de outras mil câmeras.

O sistema em operação em Hangzhou opera com softwares que conseguem identificar gestos suspeitos, como ver uma pessoa sacar uma arma, e emitir um alerta para centrais de monitoramento, que ainda conseguem fazer reconhecimento facial de outras pessoas.

Essas funções já haviam sido prometidas no Estado de São Paulo para integrarem o programa Detecta, do governo estadual, que já foi considerado falho pelo Tribunal de Contas do Estado, em auditoria de abril. À época, a gestão Geraldo Alckmin (PSDB) disse que o sistema de vídeo analítico já estava operacional em parte das câmeras e que aprimoramentos estavam sendo desenvolvidos.

Ambas as empresas chinesas prometeram enviar equipes à capital paulista - as duas já têm escritórios na cidade - para fazer levantamento sobre as necessidades e eventualmente ajudar na formatação da PPP. "Não há nenhum direcionamento", disse Doria, ao comentar a eventual participação dessas empresas, com relações já estreitas com o prefeito, no processo de licitação.

Segundo Mario Ma, diretor da Hikvison no Brasil, licitações são o negócio principal da empresa. "A doação ajuda na licitação", diz. Ma ainda afirma que a empresa tem responsabilidade com os cidadãos.

A agenda de Doria ainda tem outras reuniões com empresas de tecnologia e visita a mais um fundo de investimentos. O prefeito já percorreu bancos chineses para apresentar seu pacote de desestatização.

* O repórter viajou a convite da prefeitura de Xangai

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