Sede do Banco de São Paulo, no centro, abre as portas para visitas guiadas

Priscila Mengue

São Paulo

Uma arquiteta que conheceu a antiga sede do Banco de São Paulo aos 21 anos é a principal idealizadora de um projeto que tem a missão de colocar o prédio no mapa das atrações turísticas da cidade. O primeiro passo de Ivone Faddul Alves, agora com 51 anos, será dado nesta quinta-feira, 3, com a estreia da visita guiada ao edifício. Inédito, o tour ocorrerá semanalmente mediante inscrição gratuita - os ingressos para as duas primeiras edições já estão esgotados.

Ao longo de duas horas, os visitantes poderão conhecer detalhes do imóvel, tombado pelo Estado em 2003 e considerado "moderno" para a sua época de construção: 1938. "O edifício recebe visitas do exterior, de pessoas que o veem como referência, e nós não temos essa visão. Então, o meu objetivo é criar essa identidade", afirma Ivone. "Assim poderemos ter esse prédio para o resto da vida."

Desde 1970, o arranha-céu é a sede da Secretaria Estadual de Esporte, Lazer e Juventude, onde a arquiteta trabalha desde 1999. Apesar de estar no local há quase 20 anos, ela relata descobrir relíquias com frequência, como uma mesa de madeira maciça quase centenária que era utilizada ao lado de uma cadeira de escritório de plástico. "É o meu olhar que vê isso como uma obra de arte. Outra pessoa vai ver e falar: 'O que é isso? Que porcaria!'", compara.

Com as visitas guiadas, Ivone pretende atrair interessados em apoiar a restauração do edifício, que não passa por obras desde 1970. Ela conta que já conseguiu, por exemplo, o concerto do painel iluminado da fachada, que está apagado há 30 anos. Para o serviço, aguarda agora uma autorização do Estado, necessário em função do tombamento do imóvel. Um livro também está na perspectiva da arquiteta.

A funcionária pública afirma ser a segunda pessoa que melhor conhece o imóvel, estando atrás apenas do zelador, José Domingos Neto, de 68 anos, cearense de Alcântara que vive há 35 anos em São Paulo, 33 deles no 16.º andar do prédio.

Segundo Ivone, Seu Zé é o guardião do antigo banco e faz "mágicas" para suprir a falta de verba para manutenção, como quando cortou canos para transformá-los em calhas. O zelador conta que há comentários sobre a existência de assombrações no local. "Mas eu nunca vi nada. Só vê quem acredita, né?"

Tour

A visita começará na fachada e seguirá por espaços que vão do cofre até ao saguão, onde há ornamentos com ouro. Dentre os interessados no tour há arquitetos como Thales Sportero, de 24 anos. "Tenho pretensão de seguir carreira acadêmica e acho importante o conhecimento sobre os edifícios históricos, para poder passar a importância deles adiante", diz. Também há pessoas de outras áreas, como o cirurgião dentista Murilo Mauad, de 55 anos, que pretende visitar o local com a filha Helena, de 23 anos. "Adoramos ver a arquitetura e os acervos."

Serviço

Visitas guiadas de quintas-feiras, às 8h; agendamento: deborahturcultural@gmail.com ou (11) 98093-1744. visitação ao cofre: de segunda a quarta-feira, das 8h às 11h. Endereço: Praça Antônio Prado, 9; telefone para contato (11) 3104-8992. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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