Operador de Bendine tinha R$ 800 mil em cofre, diz Coaf

Luiz Vassallo, Julia Affonso e Ricardo Brandt

  • Foto: Wilson Dias/ ABr

    Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras

    Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) comunicou à Polícia Federal duas movimentações consideradas 'atípicas', uma de R$ 800 mil e outra de R$ 30 mil, nas contas ligadas a Antônio Carlos Vieira da Silva Junior, preso preventivamente na Operação Cobra, 42.ª fase da Lava Jato, apontado como 'operador' do ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras Aldemir Bendine.

Na primeira transação, de maior valor, feita em uma conta recém aberta no ano de 2011, os valores foram declarados ao Fisco e eram oriundos de um cofre pessoal.

O publicitário e seu irmão, André Gustavo Vieira da Silva, são investigados pela suposta operacionalização do repasse de R$ 3 milhões em propinas da Odebrecht ao ex-presidente da Petrobrás, Aldemir Bendine, em 2015. De acordo com as investigações, inicialmente, ainda na presidência do Banco do Brasil, Bendine teria pedido R$ 17 milhões de propinas em troca da facilitação da rolagem de uma dívida da Odebrecht Agroindustrial.

A nova cobrança, de R$ 3 milhões, teria sido feita à época em que Bendine já estava à frente da Petrobrás, em 2015. O repasse foi realizado em três parcelas de R$ 1 milhão em espécie cada. Dois pagamentos ocorreram qando o empresário Marcelo Odebrecht já estava preso, em julho daquele ano.

O Coaf é um órgão ligado ao Ministério da Fazenda responsável por comunicar atividades financeiras que levantam suspeitas sobre lavagem de dinheiro aos órgãos de investigação. Saques e depósitos de mais de R$ 100 mil em espécie são sempre comunicados ao Conselho, mesmo que não levantem indícios de crimes.

O colegiado comunicou movimentações de R$ 830 mil consideradas 'atípicas' em relatório à PF no Paraná, onde Bendine está preso, levantado para identificar repasses relacionados ao departamento de propinas da Odebrecht.

Em uma delas, de R$ 800 mil, em uma conta em Recife, ele se utilizou de uma empresa de segurança especializada em transporte de dinheiro para fazer o depósito. A conta era recém criada, no ano de 2011, período pelo qual ele não é investigado no âmbito da Cobra. De acordo com a notificação do Coaf, o valor veio de um cofre de Antônio Carlos.

"Comunicação motivada por movimentação de recursos em espécie, considerada atípica e incompatível com a natureza da conta corrente, recém aberta. consta no cadastro tratar-se de publicitário proprietário de loja de calçados, revenda de motos e agência de publicidade. Segundo informado, valores em espécie guardados no cofre do cliente, provenientes de distribuição de lucros. Valores em espécie declarados no IPRF. Transação já comunicada a esse conselho, por critérios objetivos conforme artigo 12 da circular BACEN 3461/09. Os recursos foram direcionados para aplicação financeira", afirma o Coaf.

A outra movimentação considerada atípica se trata de uma transferência de R$ 30 mil em um posto de gasolina em Araguaína, no Tocantins, que já foi alvo de investigações por lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. O Estado apurou que o processo envolvendo o posto está sob sigilo no STF.

Antonio Carlos Vieira da Silva diz que não há relação com a investigação

"Nenhuma movimentação é contemporânea aos fatos investigados. Não faz sentido se justificar do que não tem relação aos fatos. O processo é B.B. E Bendine e não da vida de meu cliente".

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