Grupo de ativistas invade a Câmara

Fabio Leite e Gilberto Amendola

São Paulo

Um grupo de manifestantes, estudantes e ativistas ligados a partidos de esquerda ocupou o plenário da Câmara Municipal de São Paulo por volta das 13h desta quarta-feira, 9, em protesto contra os projetos de concessão e privatização de serviços e equipamentos públicos encaminhados pela gestão do prefeito João Doria (PSDB). A presidência da Casa informou que a Procuradoria do Legislativo vai à Justiça pedir a reintegração de posse do plenário.

Com o apoio de vereadores do PT e PSOL, que fazem oposição a Doria, cerca de 50 manifestantes reivindicavam a suspensão imediata dos projetos de lei que definem a concessão de parques, mercados, bilhete único e do Estádio do Pacaembu à iniciativa privada.

Ambos foram aprovados em primeira votação pela Câmara e devem ser avaliados em definitivo até setembro, segundo aliados de Doria. Os estudantes ainda cobravam a volta do passe livre estudantil nos moldes da gestão anterior - a atual restringiu os horários de uso.

Os manifestantes querem ainda a realização de 32 audiências públicas para discutir os projetos de concessão (uma para cada prefeitura regional), além de um plebiscito, para consultar a população da capital se a maioria é a favor ou contra os projetos de desestatização - o projeto está parado no Legislativo.

A assessoria da presidência da Câmara informou inicialmente que o presidente Milton Leite (DEM) não negociaria com os participantes do ato "até a desocupação do plenário". Com o protesto, a sessão ordinária foi transferida para o salão nobre do Legislativo.

Carta aberta

Às 19h, os manifestantes leram publicamente uma carta "contra a venda de São Paulo". Eles também reclamavam da postura do presidente da Casa, que havia cortado a água dos banheiros e barrado a entrada de comida no plenário. Os estudantes solicitaram uma vigília do lado de fora do Palácio Anchieta.

"Vamos resistir. Não saímos daqui até algo seja negociado", disse Ana Luíza Tiberio, de 19 anos, estudante de Direito e militante petista. "Cortar água e comida é muito sério e antidemocrático", afirmou David Parafuai Molinari, de 19, estudante de Comunicação Social e integrante da juventude petista. "Vamos continuar aqui para evitar que a GCM atue com violência", disse Mina Vieira, de 21 anos, estudante de Direito e membro da União da Juventude Socialista (UJS).

No local, compareceram vereadores como Eduardo Suplicy e Juliana Cardoso, ambos do PT, além do padre Julio Lancellotti. Eles conseguiram negociar o retorno da água, a liberação dos banheiros e a entrada de pão com manteiga, em troca da saída de menores do plenário.

Às 21h, cinco viaturas da PM estavam de prontidão na entrada, mas o clima era calmo. Segundo a assessoria da Casa, não haveria reintegração de posse na madrugada. A solicitação só deverá ser analisada nesta quinta-feira, 10. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos