PSDB tem novo embate após vídeo citar 'erro'

Renan Truffi e Thiago Faria

Brasília

  • AFP

A decisão do PSDB de usar a propaganda do partido exibida em redes de rádio e TV para pedir desculpas à sociedade e dizer que errou foi foco de mais uma crise entre os tucanos na reunião da Executiva Nacional da legenda, realizada nesta quarta-feira, 9, em Brasília. Quase uma semana depois de os senadores Aécio Neves (MG) e Tasso Jereissati (CE) selarem a paz em acordo pela presidência da sigla, os caciques voltaram a se dividir.

No encontro da cúpula, parte dos tucanos mostrou irritação ao avaliar negativamente a inserção divulgada nesta quarta na internet. Parlamentares ligados a Aécio entenderam o vídeo como uma afronta ao mineiro. O senador foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por pedir R$ 2 milhões à JBS, dos irmãos Wesley e Joesley Batista.

Além disso, uma das razões da insatisfação é que alguns tucanos se sentiram expostos a pouco mais de um das eleições. Outro foco de descontentamento veio dos membros do partido que assumiram cargos de ministros no governo Michel Temer. Isso porque o texto da inserção trata o erro com uma questão de "agora", sem mencionar exatamente sobre qual assunto se refere. "O PSDB acertou quando criou o Plano Real, mas agora errou", diz a narradora em um dos trechos do vídeo, como adiantou o Estado. A crítica é de que o roteiro abre espaço para que a população entenda o apoio a Temer como um dos equívocos.

Tasso rebateu as críticas. O presidente da sigla argumentou que este é o momento para fazer um aceno de autocrítica à população, mesmo que o apontamento aos erros não seja específico. A ideia é de que os tucanos tentem se diferenciar de outras legendas e do PT. Segundo relatos, o senador cearense argumentou que existia uma cultura do caixa 2 na política brasileira e que é necessário admitir esses erros. Esse deve ser um ponto discutido na íntegra do programa, que será exibida no dia 17.

Publicitário

A propaganda tucana foi elaborada pelo publicitário Einhart Jacome, ligado a Tasso. Ele trabalhou para o senador de 1986 a 1994, época em que Tasso foi governador do Ceará. Após esse período, Jacome foi convidado a trabalhar na campanha presidencial de Fernando Henrique Cardoso.

No vídeo completo, o PSDB também deve fazer um mea-culpa por não ter feito a defesa do modelo parlamentarista no Brasil, sistema que foi rejeitado em plebiscito de 1993.

Ainda assim, alguns tucanos pressionam para que o roteiro seja alterado antes de sua veiculação. Ao final da reunião, outros caciques pediram para ver o conteúdo completo. Os tucanos irritados acusam Tasso de ter autorizado a exibição sem consultar a cúpula. Um grupo de parlamentares próximos a Tasso diz, porém, que foram convidados por ele para assisti-lo há duas semanas. O senador Cássio Cunha Lima (PB) confirmou ter visto a inserção.

Aécio foi um dos que negaram ter conhecimento do teor do vídeo. "Na verdade, não participei dessa elaboração. Acho que é uma tentativa de uma reconexão do PSDB com a sociedade. Vamos aguardar o programa, vamos discutir ainda os textos que estão sendo propostos para o programa, mas eu acho que é uma tentativa do ponto de vista de comunicação de mostrar que, além dos acertos que nós tivemos e não foram poucos, certamente alguns equívocos o PSDB cometeu", minimizou. A afirmação é rebatida por aliados de Tasso. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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