Rumo da JBS, maior empresa do grupo, é alvo de preocupação

Renata Agostini e Cátia Luz

Em São Paulo

  • Foto: Divulgação

Com Joesley Batista preso, os rumos do maior grupo privado do país, o conglomerado J&F, ficarão nas mãos de Wesley Batista, um dos donos da companhia e o presidente da JBS. Delator ao lado do irmão Joesley, Wesley não é alvo da investigação pedida pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e não tem sua colaboração ameaçada. Ele terá de liderar o fechamento da venda de negócios, necessária para garantir a sobrevivência da holding e da JBS, enquanto tenta manter-se no cargo. Sócio dos Batista na JBS, o BNDES quer sacá-lo do posto.

Reuniões estão previstas nesta segunda-feira (11) para definir os próximos passos. A ideia era que, no conflito com o BNDES, a J&F buscasse se antecipar, ingressando com o pedido de instauração de arbitragem. A avaliação de fontes próximas à empresa é de que a estratégia deve se manter, já que a permanência de Wesley na JBS tornou-se ainda mais fundamental para os Batista.

Wesley precisará cuidar da conclusão da venda das linhas de transmissão da Âmbar para a Brookfield, que pode render R$ 900 milhões à J&F. Também terá de garantir que não desandem as negociações para a venda da Moy Park, operação crucial para a reestruturação financeira da JBS.

Leniência

Outra frente de preocupação são as consequências da prisão de Joesley para o acordo de leniência. O acordo foi homologado pelo Ministério Público Federal, mas a Justiça Federal do Distrito Federal condicionou sua validade à manutenção da delação no Supremo Tribunal Federal. Apesar de serem acordos independentes, há uma cláusula na leniência que prevê revisão ou cancelamento caso a colaboração dos executivos seja anulada.

Segundo pessoas próximas ao grupo, há receio sobre possíveis impactos da suspensão da delação de Joesley e Ricardo Saud, decretada pelo ministro Edson Fachin. Segundo eles, há risco de contaminação, mas, como se trata de algo inédito, há dificuldade em saber o que acontecerá. Mas enumeram o que veem como pontos positivos para o grupo: o fato de Fachin ter pedido a prisão temporária (e não preventiva), o dado de que o advogado e delator Francisco de Assis está fora da ordem de prisão e, por fim, o fato de o ex-procurador Marcello Miller não ter sido alvo de mandado de prisão (é a suposta ajuda de Miller na delação que baseia o pedido de prisão).

Há também dúvidas sobre a redação da cláusula do acordo que vincula a leniência às delações. Como são sete acordos de colaborações diferentes, ninguém sabe ao certo se apenas um ou todos eles precisam ser rescindidos para que a leniência seja afetada.

Além disso, se a eventual revisão implicar apenas no aumento da multa, os reflexos nas vendas de ativos devem ser limitados ou até nulos. Já se houver uma mudança mais drástica no acordo, compradores podem se sentir desconfortáveis e repensar a decisão. Desde junho, foram vendidas JBS Mercosul, Alpargatas, Vigor e Eldorado.

Na avaliação de pessoas próximas, o pior cenário seria a saída forçada de Wesley do comando sem uma transição. Além de dominar as questões operacionais da JBS, é ele que tem concentrado as negociações de alongamento das dívidas com bancos e as vendas de ativos, que ainda não foram sacramentadas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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